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Vende-se arte

IMG_4486A Galeria Aberta reabriu com o intuito de criar um espaço onde artistas de Macau possam vender a sua arte em permanência. Perkins Wong e Cristina Lai querem ajudar a  criar a abordagem comercial que, dizem, ainda falta à cena artística local.

Hélder Beja

Obras com as cenas quotidianas de Lio Man Cheong, as personagens literárias de Carlos Marreiros e os olhares de Konstantin Bessmertny sobre a cidade enchem as paredes da Galeria Aberta, na Rua Sacadura Cabral, junto ao Tap Seac. O espaço, que voltou este mês à actividade plena depois de três anos de interregno, assume-se como uma galeria vincadamente comercial, apostada em dinamizar o mercado de arte local.

“Gosto de ajudar a cultura. Quando acaba uma exposição, se as pessoas querem comprar os quadros, onde vão? A primeira ideia é ajudar a cultura”, diz Cristina Lai. Cristina fala em nome da família, que está a montar o negócio para Perkins Wong, o filho que ainda frequenta o curso de Gestão e Negócios na Universidade de Macau.

Tudo começou em 2004. “Na altura o nosso filho era ainda pequeno mas gostava de pintar e fazia trabalhos muito bonitos. Queríamos criar um ambiente para que ele crescesse a gostar de fazer mais coisas. Sempre gostei de levar o meu filho a exposições. Naquela altura o meu marido tinha este espaço e decidimos fazer uma galeria”, conta Cristina.

O pintor Lio Man Cheong foi o primeiro a ser representado pela Galeria Aberta. “Se não fosse Lio Man Cheong, não haveria esta galeria. Foi ele que nos cedeu quadros à consignação. Disse: ‘Calma, fazemos contas no final do ano. Se não conseguir vender, devolve-me’. Naquela altura, alguém do Sands contactou a galeria e comprou tudo, 20 pinturas. Lio trouxe mais 40 e tal –óleo, acrílico, etc – e o Sands voltou a comprar tudo, gostavam muito dele.”

Nuno Barreto foi o senhor que se seguiu. “Disse-lhe que o meu marido tinha uma galeria e convidei-o para ter obras lá. O meu marido mostrou o catálogo a alguns amigos e compraram logo seis quadros”, recorda Cristina Lai.

Para vários bolsos

Depois de três anos em que a actividade da Galeria Aberta esteve praticamente congelada, a reabertura no passado dia 9 de Dezembro fez-se com casa cheia e obras de três autores que variam entre as oito mil e as 150 mil patacas. Desta vez, nada foi ali posto à consignação. “Comprei as obras destes três artistas com um empréstimo do banco. Também remodelámos a galeria e agora estamos a deixar o negócio com o nosso filho, que conhece muita gente.”

A escolha de Lio, Marreiros e Bessmertny, diz Cristina, explica-se por serem “artistas de top”. “Estes três artistas tornam conhecida a nossa loja. As pessoas conhecem o Carlos e o Konstantin, sabem que aqui não há cópias. Convidámo-los para a inauguração e tudo. As pessoas agora sabem que, se querem procurar coisas boas, a nossa casa tem. Não estou a dizer que os outros artistas não são bons, estou a dizer que o que temos aqui é bom”, afiança.

A reacção dos visitantes foi positiva e a proprietária diz que já há várias obras com novo dono. “Ainda estava a colocar os quadros e já havia interessados. Há várias obras vendidas e outras bem encaminhadas.”

Quando olha para o mercado de arte em Macau, Cristina Lai não tenta adivinhar o que vai acontecer, mas acredita no presente. “Não sei como vai ser o futuro, mas o que quero é mostrar a cultura às pessoas. Posso perder algum dinheiro no começo, porque tenho um emprego fixo, e agora que o meu filho já está crescido quero que ele faça mais coisas. Macau tem bom mercado. Os jovens gostam de coleccionar artistas de Macau. Tenho outros artistas em minha mão que vendem muito bem. O Governo e os hotéis compram muito”, refere.

Um dos artistas que Cristina Lai tem em mãos é o ilustrador e cartoonista Chan Iu Pui, colaborador assíduo do jornal Ou Mun e autor de várias coleccões de postais que retratam Macau. Outro é o também cartoonista Chan Wai Fai. A Galeria Aberta está receptiva a representar mais autores, se bem que à consignação. “As pessoas podem deixar o CV e o catálogo e, se as obras forem boas, nós ajudamo-las.”

Missão: vender

A Galeria Aberta está normalmente fechada. “Não temos funcionários e só funcionamos por marcação. Isto não é uma sala de exposições. Se alguém quer comprar quadros, entra. Não interessa ter aqui um funcionário”, diz Cristina Lai. A ideia de ter mais que um espaço não lhe passa pela cabeça, e tampouco está familiarizada com a restante actividade comercial que envolve arte no território. “Não sei se existe mais alguma galeria comercial, não conheço”, comenta.

Empresas e o próprio Governo local podem ser bons compradores, mas Cristina Lai valoriza a importância dos privados e a estima que têm pela arte local. “Os quadros não podem ficar apenas nos museus. Uma casa com uma pintura fica diferente. Acho que os artistas de Macau têm valor e as pessoas devem coleccionar os artistas de Macau.”

O site da Galeria Aberta está em preparação e, entre outras ideias que Perkins Wong tem para o negócio, está a realização de leilões de arte. Diz o jovem galerista que “podem ajudar a fazer crescer o mercado de arte em Macau”.

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