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Warhol e os 15 minutos mais longos da história

paragrafo109_Page_1O Museu de Arte de Hong Kong recebe a partir de domingo a exposição “Andy Warhol: 15 Minutes Eternal”. São mais de 370 pinturas, desenhos, esculturas, objectos e vídeos na maior exposição itinerante de sempre dedicada ao artista.

Hélder Beja

No futuro toda a gente terá 15 minutos de fama, disse Andy Warhol. Estava enganado. Estava enganado o artista porque não podia prever que vinha aí a idade do YouTube, do Facebook e do consumo instantâneo de informação, desinformação e lixo. Quinze minutos de qualquer uma destas coisas são hoje uma eternidade. No futuro, neste futuro que a gente vive hoje, nem toda a gente consegue 15 minutos (nem 15 segundos) de fama.

Já a fama de Andy Warhol, essa, está bem patente no título da exposição itinerante que inaugura domingo no Museu de Arte de Hong Kong, chegada de Singapura. “Andy Warhol: 15 Minutes Eternal” é uma mostra que reúne mais de 370 peças do artista, entre elas algumas das suas criações mais icónicas, como as ‘versões’ coloridas que criou das fotografias icónicas de Mao Zedong e Marilyn Monroe.

A exposição vai apresentar uma retrospectiva cronológica do artista cujo nome se confunde com a pop art. Vai dos desenhos que começou a fazer ainda nos anos 1940, até às últimas obras que produziu pouco antes da sua morte, em 1987. Década a década, o visitante terá a possibilidade de ver peças marcantes da carreira deste norte-americano, como as dedicadas a Jackie Kennedy ou à Campbell’s Soup, bem como trabalhos menos conhecidos e raras vezes expostos, como é o caso de “The Last Supper”, de 1986, e de vários auto-retratos, adianta a organização da exposição em comunicado.

Além das obras do autor, “Andy Warhol: 15 Minutes Eternal” distingue-se por fazer-se acompanhar de um extenso repositório documental e biográfico. Fotografias, textos e outros objectos acompanham a linha cronológica da exposição e guiam o público pela vida e obra de um dos artistas mais importantes do século passado, nascido Andrew Warhola a 6 de Agosto de 1928.

 

Passo a passo

 

A primeira etapa da mostra, intitulada “Early Years”, é isso mesmo: a génese do processo criativo de Andy Warhol, os primeiros rabiscos de um artista em construção. Nesta fase, o traço simples já é acompanhado pela larga paleta de cores que haveria de ser uma das principais características do trabalho de Warhol. Aqui é possível ver os primeiros trabalhos comerciais do ilustrador e adivinhar a técnica que começava a desenvolver. Um sapato gigante, concebido por Warhol quando trabalhava numa empresa de calçado, é um dos destaques da fase introdutória da exposição, onde também é possível ver várias fotografias do artista enquanto criança e adolescente.

“The Factory Years” centra-se nos anos 1960 e é a secção da mostra dedicada ao salto que a arte de Warhol dá, invadindo a esfera da publicidade, revolucionando a cultura pop, tornando-se símbolo de uma época de progresso e produção massificada, também na arte. É nesta fase que surgem trabalhos ainda hoje reverenciados por seguidores, como alguns dos já referidos acima ou os retratos de Liz Taylor. Claro que, como o nome indica, estamos no território da ‘Factory’, esse lugar de Nova Iorque (que na verdade foram três lugares diferentes) com contornos quase mitológicos, onde Warhol, rodeado de artistas e amigos, foi redesenhando o conceito daquilo que era considerado arte, foi apropriando para a esfera do artístico objectos e momentos do dia-a-dia. A ‘Factory’ ficou conhecida na mesma medida pelos excessos que envolviam drogas, sexo e  toda a cena musical, recebendo alguns dos nomes mais destacados da época, como Lou Reed, Bob Dylan e Mick Jagger. Truman Capote, Salvador Dalí e Allen Ginsberg foram outras das presenças mais ou menos assíduas. A produção cinematográfica da “Factory” começou com “Kiss”, em 1963, e nunca mais parou, com Warhol a fazer dezenas de filmes. Algumas destas produções audiovisuais estarão também em exposição no Museu de Arte de Hong Kong.

A recriação da ‘Silver Factory’, simulando a cobertura total a folha de alumínio que Warhol aplicou no seu primeiro estúdio nova-iorqunino, munida ainda de roupas que os visitantes podem usar e de um sistema de captação fotográfica, é um dos momentos interactivos da exposição, pensada para ter a participação do público, ao invés de ser uma experiência passiva. “Silver Clouds”, peça composta por balões de hélio metalizados, é outro dos highlights desta galeria.

Avançamos para a secção “Exposures”. É a idade da Polaroid e das novas técnicas de impressão, de que Andy Warhol usa e abusa. É a idade de muitas outras imagens que ficaram até hoje. Warhol encontrou na serigrafia uma marca registada, retratando (e lucrando com) famosos como Elvis Presley, Mick Jagger, Jimmy Carter e a Rainha Elizabhet. Na fotografia Polaroid, o autor registou nomes como Alfred Hitchcock, Dennis Hopper, Diana Ross, Gianni Versace, John Lennon, Jane Fonda, Man Ray, Muhammad Ali, Pele, Truman Capote e muitos outros, cobrindo todos os espectros, das artes ao desporto e à política.

Com o passar do tempo e o desenvolvimento tecnológico, o interesse de Warhol pelo vídeo cresce e isso também é verificável na mostra. A década de 1970 é igualmente o momento em que o artista começa a coleccionar aquilo a que chamou “time capsules”, depósitos de objectos que de alguma forma foram importantes ao longo da sua vida e que são aglomerados sem critério aparente. Algumas destas cápsulas estarão para ver na cidade vizinha, com total destaque para a cápsula 23, que reúne os objectos coleccionados por Warhol aquando da sua passagem por Hong Kong, em 1982.

“The Last Supper” dedica-se à fase dos anos 1980 e a exposição fecha com “Self Portrait”. Aqui explora-se o fascínio de Warhol pela televisão e será possível ver, entre outros vídeos, algumas das edições do programa “Andy Warhol’s Fifteen Minutes”, um talk-show que o autor manteve entre 1985 e 1987, para dar corpo à célebre frase por que ficara conhecido.

A mostra, que fica em Hong Kong até 31 de Março de 2013, seguindo depois para Xangai, Pequim e Tóquio – onde chegará apenas em 2014 –, conta ainda com áreas em que os visitantes podem eles próprios experimentar algumas das técnicas de impressão e coloração usadas por Warhol. Os ingressos custam 20 dólares de Hong Kong e o Museu de Arte de Hong Kong encerra às quintas-feiras.

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