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A rota de todas as letras

A segunda edição do festival Rota das Letras já tem datas para anotar. Decorre de 10 a 16 de Março, em Macau, com mais de seis mão cheias de nomes da literatura, principalmente, mas também da música, do cinema e das artes visuais, e da palavra com humor.

As letras do alfabeto, os radicais de cada caracter, as legendas do cinema e a palavra falada, publicada, o traço dos artistas, a linguagem da música,  voltam a deslocar-se em rota para Macau. O festival literário – mas não só – que no ano passado trouxe à região autores como Su Tong, José Luís Peixoto, João Paulo Cuenca, Xu Xi, Lolita Hu, e muitos outros, retorna no próximo mês, de 10 a 16 de Março, com mais de 30 nomes – presenças a acompanhar num programa a anunciar em breve pela organização.

A lista de convidados do evento, que esta ano conta com a co-organização do Instituto Cultural de Macau, é longa e, para além de reunir autores lusófonos e de língua chinesa, incorre também num pouco de francofonia. O sinólogo Claude Hudelot e Antoine Volodine (um dos muitos heterónimos de Jean Desvignes), autor de um romance que recebe o nome “Macau”, estão incluídos no programa.

A literatura em língua chinesa, e também o seu cruzamento com as letras portuguesas, conta com mais de uma dezena de representações. Han Shaogong, tradutor para chinês da obra de Fernando Pessoa e autor de “A Dictionary of Maqiao”, com o qual venceu o Prémio Newman para a Literatura Chinesa, atribuído pela Universidade de Oklahoma, dos Estados Unidos.

O programa do festival deste ano apresenta vários autores proeminentes da literatura chinesa contemporânea, incluindo Bi Feiyu, vencedor de vários prémios literários da China, bem como do Asian Man Booker Prize, Hong Ying, uma das autoras chinesas mais reconhecidas internacionalmente, e Yi Sha, um nome controverso na poesia chinesa contemporânea. Outros autores, como Sheng Keyi, Qiu Huadong, Pan Wei, Wang Gan, Haung Lihai, Li Shao Jun e a poetisa taiwanesa Xi Murong também estarão presentes no festival.

Vários autores locais, como a poetisa Fernanda Dias, Tong Mui Siu, Chek In, Lou Mou e Wong Man Fai estão entre os convidados do evento, representando a cena literária local.

Amado em homenagem

Do universo da lusofonia, destaque para uma homenagem ao escritor Jorge Amado, falecido em 2001, cujos familiares – Paloma e Cecília Amado, filha e neta do autor, respectivamente – são convidados pela organização do festival. Serão exibido sum documentário e um filme de ficção sobre a sua vida e um dos seus livros, respectivamente. Do Brasil estão confirmadas a presença do poeta Regis Bonvicino e do director-geral da Festa Literária Internacional de Paraty, Mauro Munhoz.

A Rota das Letras convida também Dulce Maria Cardoso, autora do recente “O Retorno”, romance sobre Angola no período da independência. O mesmo tema é abordado em “Teoria Geral do Esquecimento”, do angolano José Eduardo Agualusa, que também estará presente. Angola chega ainda, de alguma forma, com a participação Bárbara Bulhosa, da Tinta-da-China, que editou “Diamantes de Sangue”, investigação jornalística de Rafael Marques sobre a exploração das minas de diamantes em Angola, e agora se encontra a responder judicialmente pela publicação.

De Portugal, virão Rui Zink e Ricardo Araújo Pereira, que trabalham com a linguagem e o humor. Francisco José Viegas, antigo secretário de Estado da Cultura de Portugal, autor e editor, é outro dos convidados. valter hugo mãe, recentemente vencedor do prémio Portugal Telecom, um dos galardões mais prestigiados entre os conferidos a autores de língua portuguesa, a escritora e jornalista Alexandra Lucas Coelho, e o jornalista e tradutor Carlos Vaz Marques, também estarão no encontro local. Com o apoio da Casa de Portugal, estará ainda presente a romancista Deana Barroqueiro.

A lusofonia é ainda representada por Luís Cardoso, provavelmente a voz literária mais importante de Timor-Leste.

Novos contos no prelo

A organização anuncia desde já que um dos pontos altos da programação do festival será o lançamento do livro de contos sobre Macau. Na primeira edição da Rota das Letras o público foi convidado a participar num concurso de contos, que teve como júris alguns dos autores participantes na primeira edição: Su Tong, José Luís Peixoto e Xu Xi, para as línguas chinesa, portuguesa e inglesa, respectivamente. Dos mais de 30 contos recebidos, alguns foram seleccionados para publicação.

Os vencedores serão anunciados na conferência de imprensa do festival e verão os seus trabalhos publicados ao lado  de contos de autores como Lolita Hu, João Paulo Cuenca, Jimmy Qi, Rui Cardoso Martins, Xu Xi e José Luís Peixoto. Também este ano o festival convida novamente todos os autores que visitam Macau a escrever sobre a cidade.

A Rota das Letras terá alguns destaques no que toca ao cinema. O várias vezes premiado “A Última Vez Que Vi Macau”, dos cineastas João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, terá a sua pré-estreia chinesa no festival, antes de seguir para o Festival Internacional de Cinema de Hong Kong. Este é provavelmente o filme sobre Macau mais importante e mais premiado das últimas décadas, nota a organização do festival.

Da China, o realizador Wiseman Wang virá para mostrar “Journey to the South”, um ‘road movie’ em que um camionista atravessa a China, rumando a sul e à província de Guangdong, tentando fazer dinheiro para resolver problemas familiares.

O realizador Ivo Ferreira também mostrará o seu novo filme, “Na Escama do Dragão”, durante o festival; e o historiador e sinólogo Claude Hudelot apresentará “Hou Bo, Xu Xiaobing, Mao’s Photographers”, documentário que co-realizou com Jean-Michel Vecchiet.

A música volta a ter um papel importante no festival. A música portuguesa, com o fado, estará representada na aclamada voz de Camané. Dead Combo, um dos projectos musicais mais interessantes em Portugal, também está confirmado.

A Rota das Letras terá ainda dois artistas em residência na Fundação Oriente: o chinês Chen Yu e Theodore Mesquita, de Goa. Os dois pintores vêm ao território com o mesmo propósito: criar trabalhos que reflictam a sua experiência em Macau. Além das novas peças produzidas por cá, os autores irão também expor trabalhos anteriores na galeria do piso térreo da Fundação Oriente.

Outra exposição, tendo como comissária a artista local Alice Kok, terá lugar no edifício do antigo tribunal, onde vários artistas locais mostrarão os seus trabalhos sobre o tema “Para além das Palavras”.

O festival Rota das Letras estabelece este ano uma colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, com o objectivo de estabelecer uma relação mais forte com as escolas e universidades, dando aos leitores mais jovens a possibilidade de estarem em contacto com os escritores convidados.

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One thought on “A rota de todas as letras

  1. Fiquei encantada com o convite para apresentar em Macau, durante o Festival Literário, o meu novo romance “O Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto”, que se insere dentro das relações dos Portugueses com o Oriente. Numa conversa gostosa e divertida, espetro contar umas histórias fantásticas dos nossos piratas que o público decerto desconhece e que eu descobri ao longo de 3 anos de pesquisa por crónicas europeiias e orientais da época dos nossos Descobrimentos. Julgo que a apresentação será na Casa de Portugal, a entidade que me convidou, mas estarei também´na Feira do Livro, se os meus livros chegarem a tempo.
    Ver vídeo: http://youtu.be/SQve-qNjHKw

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