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“A tradução é a mais importante ponte entre culturas”

han shaogongUm dos nomes representativos da literatura chinesa contemporânea, natural de Hunan, o romancista Han Shaogong é sobretudo reconhecido pela obra “A Dictionary of Maqiao”, publicada em 1996 e traduzida para inglês em 2003. Escritor prolífico, Han é também autor de obras como “Orchid” (1985), “Bababa” (1985), “Woman Woman Woman” (1985), “Deserted City” (1989) e “Intimations” (2002). Influenciado por Kafka e pelo realismo mágico de Gabriel Garcia Marquez, o autor recebeu vários prémios literários internacionais – o mais recente foi o Prémio Newman para a Literatura Chinesa em 2011. Han Shaogong é também responsável pela tradução para chinês de obras de Milan Kundera e de Fernando Pessoa.

Tanja Wessels

– O romance que publicou em 1996, “A Dictionary of Maqiao”, é escrito formalmente como se tratasse de uma enciclopédia. Qual foi o seu objectivo com este tipo de estrutura?

Han Shaodong – Com base nas minhas observações e investigações sobre a etimologia chinesa, fiz este livro tal como um dicionário em estilo de romance, explorando a transformação da paisagem e a história desta aldeia rural. Conta a histórias das pessoas que ali vivem e das suas lutas. Naturalmente, está relacionado com a minha experiência. Nasci em Hunan, província conhecida pelos seus múltiplos dialectos. Quando me desloco ao campo e me encontro com os habitantes da zona, reparo nos diferentes dialectos em que falam e gosto de estabelecer comparações. A relação diária com a língua acaba por se tornar num dos principais temas da minha escrita.

– Traduziu Fernando Pessoa. O que o atraiu na obra deste autor português?

H.S. – Não falo português. Apenas tive contacto com as obras dele em inglês, quando visitei a Europa. “O Livro do Desassossego” é o meu livro favorito. Gosto da sua forma de pensar extraordinariamente sensível e crítica. Quanto ao que mais me influencia, vejo isto de uma forma integral, nunca a partir de uma única fonte.

– E o que o atraiu para o realismo mágico de autores como Gabriel Garcia Marquez?

H.S. – Ele combina bem realidade e fantasia, ao mesmo tempo que desenvolve um tom forte de crítica social.

– Ganhou alguns prémios internacionais de prestígio. O que significam para si?

H.S. – Literatura não é desporto. O leitor é que decide se ela é boa ou não. Compreendendo este ponto, podemos ficar felizes por receber um prémio mas não tristes quando não o recebemos. Os prémios podem ter algum valor comercial, mas não acrescentam qualquer valor à obra em si. Escritores como Tolstoi, Kafka, Lu Xun, Shen Congwen e Lao She não ganharam qualquer prémio. Com o tempo, este prémios perdem o significado. O melhor escritor é aquele que consegue o reconhecimento de milhares de leitores e não de um painel de júri.

– Como vê futuras colaborações entre escritores chineses e de outros países?

H.S. – Os eruditos devem estar dispersos e não agrupados. Juntarem-se demasiado e por demasiado tempo não é bom. É necessária moderação. O intercâmbio entre pares pode inspirá-los. Com a globalização, os escritores devem estar mais envolvidos no intercâmbio internacional e abertos ao mundo. Para além disto, o essencial é a tradução. Esta é a ponte mais importante entre diferentes culturas.

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