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“Nunca pensei ganhar mais do que o salário mínimo”

paragrafo113-1Quis ser padeiro, chegou a ser advogado, mas foi na escrita, algo que sempre lhe foi “fundamental”, que vingou. Com três livros de poesia, dois infantis, quatro romances, e com o Prémio José Saramago e o Portugal Telecom no bolso, custa a acreditar que valter hugo mãe pensou, um dia, que nunca seria publicado. Em Março, vai estar em Macau para a segunda edição do Rota das Letras – evento que conta também com a exibição de uma peça de teatro da sua autoria.

Inês Santinhos Gonçalves

– A sensibilidade social é um fio condutor nos seus livros. Já falou da  emigração, da violência doméstica, da velhice. Da família. Como escritor, e também como cidadão português, como olha para este momento que Portugal está a atravessar?

valter hugo mãe – Com profunda tristeza e muita revolta. Acho que as políticas que estão a ser seguidas entregam de bandeja a cabeça do país. O povo está claramente a ser desprezado em prol de interesses de uma macro-economia e uma macro-política que não respeita minimamente quem trabalha, quem vive na simplicidade do seu trabalho.

– A peça que vai trazer a Macau, “Canil”, também se debruça sobre estas questões. Acha que somos hoje demasiado cínicos para acreditar em revoluções e lutar por causas?

v.h.m. – Sim, acho que o cinismo e o cepticismo são de tal maneira que desmobilizam as pessoas. Obviamente, se as pessoas se pudessem unir, pudessem acreditar em alguma coisa, seriam capazes de exercer o seu próprio poder. Mas, infelizmente, instalada esta espécie de entropia na informação, há já muito tempo que as pessoas não acreditam em nada. O não acreditarem em nada é, de algum modo, não acreditarem nelas próprias.

– Vê isso a alterar-se?

v.h.m. – Não vejo que seja alterado, não. Infelizmente seguimos sendo um país de brandos costumes. Com protestos esporádicos que liminarmente ficam associados a uma esquerda mais extrema, nada consegue verdadeiramente mobilizar e sensibilizar o povo como um todo. Tenho a sensação de que quem está bem, ou quem está simplesmente remediado, opta sempre por ficar calado, não há nunca uma verdadeira solidariedade.

– Está agora a trabalhar num novo livro. O que nos pode adiantar?

v.h.m. – O novo romance deverá sair em Setembro, com edição Porto Editora. Ainda ando às voltas com o título, mas conta a história de uma criança de dez anos, menina, nos fiordes islandeses. É uma história islandesa, feita de uma solidão muito específica, de montanhas de pedra crua e água, gelo, fogo. Um livro branco.

– O escritor é aquele que escreve, que publica, que vende? É um estatuto só para alguns? O que define, para si, um escritor?

v.h.m. – Tenho tendência para ver o escritor como alguém que vive atazanado com uma questão de expressão, alguém que se aflige, ou cujo centro da sua existência passa por uma questão de expressão. Vejo o escritor da mesma forma que outro artistas qualquer, alguém que efectivamente necessita da criação, de fazer aparecer algo que não existia antes. Não está dependente de género, desse lado ‘performático’, o escritor é aquele que fica, de facto, aquém do espectáculo da sua literatura. A edição, a venda de livros, os leitores, fazem parte de um lado já exterior à escrita. É muito importante ter essa noção, nunca se escrevem livros para as pessoas, escrevem-se livros para a correspondência de uma necessidade que não se explica. Não é explicada pelas pessoas, é explicada por uma abstracção qualquer.

– Pode-se ser escritor sem nunca se ter sido lido?

v.h.m. – Sim, sim, sem dúvida. Quando era miúdo escrevia desalmadamente e nunca pensei ser publicado, achava sempre que por viver tão longe e tão distante de qualquer coisa influente ou importante, viveria escrevendo para a gaveta. Mas nunca deixei de pensar que a escrita me era fundamental. A publicação foi uma surpresa na minha vida e de alguma forma é sempre surpreendente editar um livro, e mais surpreendente é termos alguém que nos leia. É incrível.

– Disse recentemente que começava a sentir uma grande vontade de ter filhos e o seu ultimo romance, “O filho de mil homens”, trata desse assunto. Também já expressou um certo sentimento de “pequenez” que tinha na juventude, de que não era talhado para grandes voos, uma característica que se reconhece na personagem principal de “A máquina de fazer espanhóis”. Há algo de auto-biográfico nos seus livros?

v.h.m. – Há sempre. Por mais que a ficção se vá adensando na escrita de um livro, creio que estou sempre implicado nos meus livros, radico os meus livros em pequenas impressões, em pequenas memórias ou na minha identidade, por mais subreptício que isso seja. Em cada livro descubro-me sempre, creio que mesmo que parta para uma história extremamente ficcionada, há um momento em que me encontro dentro do livro, que me entendo melhor.

– É um processo consciente? Ou só repara mais tarde?

v.h.m. – Vou reparando. Vou-me surpreendendo com as páginas à medida que escrevo. Sou efectivamente o primeiro leitor e sou sempre o primeiro leitor admirado. Creio que acontece comigo o que poderá acontecer com qualquer leitor dos meus livros, ou o que acontece comigo quando leio o livro de outra pessoa. Por vezes encontro-me dentro do livro, revejo-me, penso melhor em mim. E isso é surpreendente. Não é algo que possa forçar mas é algo que acontece.

– Algumas das suas personagens foi inspirada em alguém real?

v.h.m. – Há personagens que são até homenagens. Isso era mais claro nos primeiros livros. No meu primeiro romance, chamado “O nosso reino”, tenho duas figuras. O senhor Hegarty é um cantor de igreja inspirado num cantor que existe, o Anthony dos Antony and the Johnsons, que é uma pessoa que conheço e por quem tenho uma admiração profunda – inventei uma personagem para o homenagear. Nesse livro há também o senhor Seixas, que é um pintor que vive na pequena vila onde vivem todas as personagens, e é inspirado no Cruzeiro Seixas, que é o nosso grande surrealista português que tem agora 93 anos, e é um artista que adoro. Esporadicamente pode entrar algum amigo, de uma forma mais ou menos óbvia.

– Diz às pessoas que estão nos livros?

v.h.m. – Sim, digo. Nunca entrou ninguém num livro meu de quem dissesse mal, não há nenhuma personagem verdadeira num livro meu que tenha entrado para eu me vingar, só entraram pessoas que depois possam gostar de se ler daquela forma. Por exemplo, n’ “A máquina de fazer espanhóis”, há uma personagem chamada Anísio Franco, que no livro é um reformado do Museu de Arte Antiga, que arranja uma namorada. De entre eles todos acaba por ser o mais feliz, o que tem um perfil mais benigno. E esse Anísio Franco existe na verdade, trabalha no Museu Nacional de Arte Antiga, tem quarenta e tal anos, não está reformado. Conheci-o numa visita guiada ao museu e fiquei tão fascinado com as coisas que ele dizia, aquilo interessava-me tanto, que ao invés de lhe roubar alguma informação, coloquei-o dentro do livro a ser ele a passar essa informação.

– Ele reagiu?

v.h.m. – Sim, ficou muito contente. Conheço-o mal, vi-o duas ou três vezes, mas fiquei a saber pelos seus colegas que efectivamente ele tem impressionado muitos visitantes que vão ao museu. Foi isso que aconteceu comigo, acho que é um excelente profissional e a impressão que me causou foi suficiente para eu o deixar dentro do livro.

– Expressa nos seus livros alguma revolta com Deus e com a religião. É crente?

v.h.m. – Acredito primeiro nos homens e depois logo se verá. Acreditar nas pessoas dá muito trabalho e enquanto não acreditarmos uns nos outros não vale a pena acreditarmos em mais nada.

– N’ “O Apocalipse dos trabalhadores” aborda o tema da emigração e fala em especial da comunidade ucraniana. Como vê a situação da comunidade chinesa em Portugal?

v.h.m. – A verdade é que a comunidade chinesa em Portugal acaba por ser pouco aberta e a relação que temos é muito pequena. Devo falar com um chinês, que tem um restaurante de sushi e que acho que as pessoas estão convencidas que é japonês. É o único com quem tenho conversas mais fluentes e é uma pessoa de quem gosto. Gostaria que a comunidade aqui fosse um pouco mais aberta para que os entendamos melhor e para que efectivamente se estabeleça uma ponte. Assim, diria que tirando este senhor com quem falo quando vou comer sushi, o meu chinês favorito continua a ser o Ai Weiwei.

– É responsável pelas capas dos livros?

v.h.m. – Fui eu que fiz as colagens das capas que circulam em Portugal, sim. São pinturas famosas que cortei aos pedacinhos e juntei.

– Mas também desenha, não é?

v.h.m. – Faço uns desenhos um bocadinho malucos.

– Relaciona-os com a literatura?

v.h.m. – Acabam por ter uma relação. Costumo dizer que os meus desenhos têm propriedades terapêuticas e meditativas. Em alguns momentos de maior meditação e em que preciso de tomar decisões, tenho tendência para fazer desenhos, ajudam-me a pensar. Não é algo que leve muito a sério, não consideraria os meus desenhos obras de arte. São processos de concentração.

– Mas já expôs.

v.h.m. – Expus uma vez. Houve um galerista que me convidou. Não sabia se tinham noção que desenhava, mostrei-lhes, gostaram. Acho que não controlei o ego e pensei ‘Se fui convidado é porque devo fazê-lo’. Enfim, não correu mal, mas acho que fui exposto não por ter muita qualidade mas por ser conhecido como escritor. Enfim, não deixa de ser legítimo. Mas há tantos pintores incríveis à procura de galerias que é um pouco deprimente que seja eu a expor.

– O feedback foi bom?

v.h.m. – Sim, foi, e vendeu-se tudo. Mas acho que se vendeu porque as pessoas ficam à espera que um desenho possa valorizar por eu ser um escritor. Acreditam muito mais no meu percurso de escritor do que no meu percurso de artista plástico. A partir dessa exposição ofereço os desenhos que faço. Nunca lhes ponho um preço. Em exposições colectivas em que convidam muitos ilustradores, às vezes participo, mas nunca coloco um preço. Normalmente ofereço o meu trabalho à primeira pessoa que me convencer que gostou. Ou então troco. Se algum artista disser ‘Gosto tanto do teu trabalho, adorava tê-lo’ eu digo ‘Se quiseres troco’. E é muito bom porque, em troca dos meus papéis foleiros, acabo com obras de arte a sério e tenho a casa cheia de coisas bonitas.

– Num entrevista ao Jornal de Notícias, disse que se expunha mais na poesia porque tinha a sensação de que ninguém lia. Na era da Internet, acha que muita gente partilha desse sentimento? Ou seja, que as pessoas se expõem mas medem mal o grau de exposição?

v.h.m. – Sim. Mesmo alargando o âmbito da questão, acho que as pessoas nunca estão conscientes do que verdadeiramente expõem e do quanto expõem, por exemplo nas redes sociais. Estamos sempre a ser vistos por quem não conhecemos e, mais do que isso, estamos sempre a ser vistos por alguém que não gosta de nós. Estamos sempre expostos a algum tipo de energia negativa. E a poesia, com a sinceridade de que necessita, é sempre uma vulnerabilidade. Quando alguém me pergunta especificamente pelos meus versos, vulnerabiliza-me sempre. Ou eu digo que aquilo é mentira, ou tenho que dizer que aquilo é verdade e a conversa acaba por ser sempre muito íntima.

– Lida bem com isso?

v.h.m. – Vou lidando cada vez melhor. Quando a questão não tem de ter resposta, acabo por dizer que prefiro não responder. E já me fizeram duas ou três vezes questões que acho que não podem ser feitas, há um limite para a invasão dessa esfera mais privada, dessa esfera mais vulnerável.

– Ouve música enquanto escreve?

v.h.m. – Ouço, sobretudo no arranque. Coloco sempre um disco mas depois o disco lá se apaga e já não me apercebo muito.

– O que ouve?

v.h.m. – Oiço sempre a mesma coisa. Tenho de ouvir sempre música instrumental porque tenho muita tendência para cantar, para acompanhar os cantores todos, por isso tem de ser alguma coisa sem voz. Normalmente coloco as Variações de Goldberg, tocadas pelo Glenn Gold, do Bach; ou então, as suites para violoncelo, de Bach também. É quase sempre a mesma coisa, são os meus discos há 15 anos. Por mais que o faça, dia após dia, nem me canso nem estou convencido de que conheço estas peças a fundo. Ou tenho algum problema nos ouvidos ou então, de facto, Bach era tão genial que consegue convencer-me durante 15 anos seguidos.

– Que lugar ocupa a sua banda, Governo? É um hobby ou já a vê com uma dimensão profissional?

v.h.m. – É um fait divers, absolutamente. Os meus colegas [António Rafael e Miguel Pedro] são músicos a sério, têm percursos de mais de 20 anos, têm projectos sólidos como os Mão Morta ou Mundo Cão, e encaram a música como algo de muito sério. Mas eu não. Não temos sequer ensaiado. Queremos gravar um álbum, mas efectivamente a escrita dos livros interrompe sempre o nosso percurso, por isso é uma coisa que vamos fazendo com muito gosto, muito gozo, mas sem a urgência que uma banda profissional teria de ter.

– Vai ser uma das personagens do novo filme de Miguel Gonçalves Mendes, “O Sentido da Vida”. O realizador vem, aliás, consigo até Macau exactamente para o filmar.

v.h.m. – Sim. Ele já tem estado comigo. Sempre achei o meu dia-a-dia muito aborrecido e é muito estranho que alguém me filme no aborrecimento quotidiano. Mas ele é muito discreto e tem uma sensibilidade muito especial, por isso acabo por conseguir conviver com ele sem que ele interfira.

– A sua personagem é auto-biográfica?

v.h.m. – Sim. É um documentário que vai envolver sete figuras de sete países diferentes, ligadas a várias áreas. A intenção é que envolva a Dilma [Rousseff], Presidente do Brasil, que envolva os Sigur Rós, a banda islandesa, envolve-me a mim, envolve um filosofo suíço, envolve o [Hayao] Miyazaki, o realizador japonês, e outras figuras que ainda estão a ser garantidas. O filme é uma espécie de percurso feito por um miúdo que procura o sentido da vida. O miúdo vai relacionar-se, não tanto connosco, mas com o nosso trabalho – vai ler os meus livros, ver os filmes do Miyazaki, ouvir a música dos Sigur Rós, vai tentar perceber a governação de um país como o Brasil e depois vai ter acesso às imagens do nosso quotidiano, da nossa normalidade.

– Então tem sido filmado no seu dia-a-dia?

v.h.m. – Sim. A escrever, a almoçar, a ir ao café com os amigos. Enfim, esse quotidiano mais simples, que permita ao miúdo, e depois ao espectador do documentário, traçar um paralelo entre o que é o meu trabalho e o que é a minha vida e em que medida o meu trabalho serve a minha vida. No fundo, a ideia do Miguel é perceber como é que as pessoas que criam, e que mandam, e que governam podem dar um sentido à vida. Em que medida é que esta criatividade serve verdadeiramente para intensificar a vida.

– Quando é que o documentário estará pronto?

v.h.m. – Vai ser feito durante os próximos três anos, é um documentário de longo alcance, complexo, que será verdadeiramente o grande trabalho dele, depois de “José e Pilar”.

– É verdade que, quando recebeu o Prémio Portugal Telecom, no Brasil, o pediram em casamento?

v.h.m. – Ah, sim, sim, muitas vezes. E a sério! Algumas pessoas a brincar, mas muita gente a sério.

– Mas de que forma?

v.h.m. – Eu falei antes da publicação d’ “O filho de mil homens” e perguntaram-me acerca do livro. Eu falei disso de querer ter um filho e que achava que finalmente entendia porque é que as pessoas tinham filhos. Muita gente achou que querendo ter um filho e não tendo um, não tinha com quem o ter. Então surgiram propostas de casamento e de gravidezes. Foi muito bonito, foi uma forma de dizerem que me ouviram e que de algum modo acreditaram no que eu estava a dizer.

– Já demonstrou apreço pelo Brasil e pelos brasileiros. Nesta vinda a Macau, vem com que expectativas em relação às pessoas?

v.h.m. – Vou gostar muito de ir aí. Estive em Macau apenas uma noite e gostei muito de aí estar, gostei muito de perceber essa portugalidade num lugar tão distante. Conheci o arquitecto Carlos Marreiros e ele foi muito simpático comigo, passou uma visão muito entusiástica dos portugueses em Macau e dos macaenses. Vou gostar muito de conversar um pouco mais com as pessoas desta vez e construir uma imagem mais sólida de Macau.

– Já disse várias vezes que, apesar de sempre ter gostado de escrever, nunca pensou ser escritor publicado. Pensava em ser o quê?

v.h.m. – Durante muito tempo achava que iria ser padeiro. Adorava pão e tínhamos muitas galinhas, a minha mãe atirava o pão às galinhas e elas gostavam. Achava que os padeiros tinham as condições para serem felizes. Depois, mais tarde, por alguma inércia, fui fugindo à Matemática e acabei no curso de Direito. Achava que ia seguir um percurso como advogado, qualquer coisa que me fosse sustentando.

– Chegou a exercer?

v.h.m. – Fui advogado estagiário, durante um ano e meio. Era aterrador porque eu queria muito ajudar as pessoas, mas ao mesmo tempo não tinha segurança nenhuma, sentia-me muito imaturo. Aquela responsabilidade matava-me. Ali com os meus 25, 26 anos comecei a perceber que precisava de trabalhar em alguma coisa que me dissesse mais respeito. Embora tivesse feito um curso de cinco anos, aquele curso dizia-me respeito ao nível das ideias mas não me dizia respeito ao nível do terreno. Não conseguia trabalhar assim. Então comecei desesperadamente à procura de outra forma de me sustentar. Mas achei sempre que se chegasse a um emprego de salário mínimo estaria dentro daquilo que seria esperado para mim. Nunca pensei ganhar mais do que o salário mínimo.

– E hoje faz pão?

v.h.m. – Hoje tenho uma daquelas máquinas de fazer pão em casa. São um bocado ridículas mas ficam a trabalhar durante a noite e posso fazer o pão de que gosto, com nozes e com pinhões e deixá-lo tostar e assim. Só me falta dá-lo às galinhas.

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