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Dar música ao verso

IMG_0464Não é uma sessão de declamação de poesia nem um concerto convencional – é, talvez, uma mistura das duas coisas. Depois de um espectáculo ontem, no Dia Mundial da Poesia, os Sílaba voltam a actuar, amanhã, na Livraria Portuguesa. A spoken word chegou a Macau e diz que é para ficar.

Inês Santinhos Gonçalves

No princípio era o verbo. Passado de boca em boca a contar histórias, desde os tempos mais remotos. O verbo, depois, “urbanizou-se e cosmopolizou-se”, musicou-se, e nos anos 1960 e 1970, ganhou nome: spoken word. Da politizada ‘beat generation’ de Allen Ginsberg a Mark Strand, a spoken word chegou aos dias de hoje, conquistando o seu nicho de mercado. Macau não ficou de fora: de regresso ao território, João Pedro Costa juntou um grupo de músicos locais e decidiu dar música ao verbo – neste caso, à Sílaba, nome da banda de spoken word que tinha em Portugal e quer agora renovar em Macau. O grupo estreou-se ontem no Dia Mundial da Poesia, mas amanhã à noite volta a actuar na Livraria Portuguesa.

Assim, guitarra, saxofone, clarinete, flauta, baixo, ukelele, berimbau e alguma sonoplastia vão acompanhar poemas de Alexandre O’Neil, António Gedeão, Camilo Pessanha, E.M. de Melo e Castro, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Inês Pedrosa, Joaquim Pessoa e Miguel Esteves Cardoso. Mas não só: “São poetas de língua portuguesa mas também vamos incluir Mark Strand e Pablo Neruda, com um texto muito pequenino que é uma espécie de conselho”. A estes juntam-se poetas brasileiros “menos conhecidos”, como António Cícero e Mário Quintana. “Havia muitos que gostaríamos de incluir, mas tivemos de reduzir, se não tínhamos quase duas horas e meia de espectáculo”, explicou João Pedro Costa, que neste grupo é quem dá voz aos poemas. A excepção é feita para os três poetas locais convidados: António Mil-Homens, Carlos Morais José e Fernando Sales Lopes vão juntar-se aos Sílaba e ler os seus poemas. “Preferi que fossem eles a dizer, já que têm a lata de dar o corpo ao manifesto.”

A música é interpretada por Manuel Rebelo, Abel Silva, José Chan e Paulo Teixeira e é toda original, composta propositadamente para este espectáculo, com excepção do primeiro tema, que já vinha da antiga banda de João Pedro Costa, em Portugal.

“Enfim, juntámos uma série de amigos, e mais os cotas cá do sítio que gostam de dizer textos, para celebrarmos as palavras em português”, resume.

João Pedro Costa não esqueceu os falantes de chinês, mas ainda anda à procura das pessoas certas para se juntarem ao projecto. “Quero fazer uma noite de ‘slam’ em português, inglês e chinês. Era muito interessante e já há um bar interessado nisso”, conta.

Por agora, deseja conseguir chegar aos alunos de língua portuguesa, do Instituto Português do Oriente e das universidades. Os Sílaba contam gravar brevemente um disco e, assim, chegar mais facilmente aos estudantes do território. “Em Portugal as escolas mostram-se interessadas neste modelo. Quando se fala de poesia os alunos pensam logo ‘iiii, que seca’, mas com música, e no nosso caso, com um beat mais actual, [pode ser mais apelativo]”, explica.

Os Sílaba vão estar amanhã na Livraria Portuguesa, às 21h. Os bilhetes custam 100 patacas e podem ser adquiridos à entrada.

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