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A história de Macau em 100 dias de aguarela

001DaySe o desafio for cumprido, em Julho o macaense Américo Neves terá cinco séculos de história em aguarelas. Durante 100 dias, todos os dias, vai pintar um capítulo da história de Macau com um objectivo: ajudar os invisuais. O projecto faz parte de uma campanha de angariação de fundos para a ORBIS.

Inês Santinhos Gonçalves

É com uma caravela a abandonar Portugal – que reconhecemos pela Torre de Belém ao longe – que Américo Neves começou, na semana passada, a contar a história de Macau em aguarela. Durante 100 dias, todos os dias, o designer vai publicar online uma pintura sobre o território, que reflecte a evolução histórica da cidade, cronologicamente. O objectivo deste desafio é angariar fundos para a ORBIS, uma organização de apoio aos invisuais.

A campanha ainda vai no início – até agora, Américo Neves publicou sete pinturas, a última ilustrando a chegada dos jesuítas. Em sete dias, é possível assistir à chegada dos portugueses a Macau, ao estabelecimento da Administração portuguesa e à passagem (real ou literária) de Camões pelo território. As aguarelas estão legendadas, incluindo alguns factos históricos, datas e curiosidades.

A ideia de fazer desenhos diários já tinha surgido anteriormente e Américo Neves tentou pô-la à prova. “No primeiro ano desenhei durante 100 dias em cartões do tamanho de cartas de jogo. No segundo ano de experiência, fiz 100 desenhos numa agenda com personagens de desenhos animados ou bandas desenhadas japonesas, americanas e europeias”, conta.

Quis continuar a fazê-lo, mas desta vez com uma motivação. “Fiquei a pensar no que mais podia fazer. Que tal desenvolver o projecto com uma acção significativa para ajudar os outros?” Foi assim que surgiu a ideia de desenhar para angariar dinheiro. As doações são feitas não só pelo valor dos desenhos, mas pelo desafio a que o artista se propôs. A ideia, por agora, não é vender as pinturas. “A maneira de angariar fundos é esta: eu desenho e se o dador apreciar a minha resistência, então oferece donativos à ORBIS”, resume.

O objectivo é chegar às 10 mil patacas. Até agora, a ORBIS já recebeu 2700 patacas com este desafio.

Nascido em Macau, Américo Neves tinha uma certeza: queria que o território fosse o tema deste projecto. “Para mim, o mais importante é mostrar ao mundo fora de Macau que Macau não é só uma terra de sorte ou azar, mas também uma terra de cultura, com grandes artistas. Todas as vezes que vejo a palavra Macau junto ao meu nome em publicações ou na Internet sinto-me muito honrado”, salienta.

Macau, no entanto, era um tema demasiado amplo. “No início pensei em desenhar tudo o que me viesse à cabeça sobre Macau. Mas depois pensei melhor: se desenho todos os dias à toa, sem ter um tema, não me parece que o trabalho fique com qualidade”, conta. Sabia que queria tentar cumprir o desafio de um desenho por dia, durante 100 dias, e pensou que contar uma história podia ser uma forma eficaz de lhes dar relevância. Seria, então, “uma história sobre o estabelecimento de Macau, até aos dias de hoje”, decidiu.

Portugal está, até agora, muito presente “porque os portugueses fazem parte da história de Macau e isso não pode ser apagado nem esquecido”, explica.

O desafio a que se propôs implica preparação e pesquisa antecipada, conta o designer: “Planear o dia-a-dia não é fácil, preciso de fazer muita pesquisa antes do primeiro toque do lápis no papel. Para facilitar, tento fazer planos com dez dias de antecedência”.

A escolha da aguarela também foi feita tendo em vista o desafio. “A pintura é o meu ponto mais fraco, mas para se ser um bom artista é preciso aprender. Um bom artista deve ser multi-funcional”, aponta. Américo Neves dá o exemplo de dois artistas de Macau que considera terem essa capacidade multi-disciplinar que admira: “O arquitecto Carlos Marreiros não só desenha casas mas faz desenho [criativo] muito bem, basta-lhe ter uma caneta à mão. Outro artista que adoro é o Fortes Pakeong. Se pegar numa caneta preta consegue desenhar em todas as substâncias, numa mota, num manequim, numa mesa de madeira, na parede, em tudo”. É esta capacidade, de se ser multi-facetado, que deseja desenvolver. “Também gostava de ter muitas armas no bolso”, remata.

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One thought on “A história de Macau em 100 dias de aguarela

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