Uncategorized

Músicos de Macau dão vida a filme mudo

1 cinema mudoO Teatro Dom Pedro V recebe uma série de cine-concertos. Num deles, a 11 de Maio, músicos de Macau darão vida ao filme mudo “L’Atlantide”. Paulo Pereira, Yuen Chao e Ray Granlund estão entre os criadores convidados.

Jessie Chai

Jaques Feyder, realizador de “L’Atlantide” (1921), nunca imaginaria que, quase um século depois, um grupo de músicos de Macau estivesse a compor e a tocar ao vivo músicas para o seu filme mudo. Mas é isso mesmo que vai acontecer, a 11 de Março, pelas 19h30, quando este clássico do cinema passar no Teatro D. Pedro V acompanhado pelas composições dos músicos Paulo Pereira, Lei Siu, Yuen Chao e Ray Granlund.

“L’Atlantide” é a primeira de muitas adaptações ao cinema do livro homónimo assinado por Peirre Benoit. O filme foi rodado na Argélia e a acção situa-se em 1911, com dois militares franceses, um capitão e um tenente, a partirem à descoberta do misterioso Deserto do Sahara. No reino que descobrem, Antinéa é a rainha toda poderosa, capaz de atrair todos os homens mas também de destruí-los a todos da mais perversa das formas.

O tenente (Georges Melchior) acaba por não resistir aos encantos de Antinéa (Stacia Napierkowska), que o convence a trair o capitão (Jean Angelo). A fita assenta neste triângulo amoroso e na fuga do tenente, desonrado pelo acto cometido. O militar regressa a França e a Paris, tenta refazer a sua vida mas não consegue desprender-se do feitiço de Antinéa e decide voltar ao Sahara para encontrá-la.

“L’Atlantide” é um filme longo – a versão original tem 196 minutos mas a cópia restaurada e lançada em DVD em 2004 pelo Filmmuseum da Holanda tem apenas 163 – e será um grande desafio para os músicos locais. A música estará divida em quatro partes ao longo destas quase três horas de cinema, com cada parte a criar diferentes ambiências e utilizar diferentes estilos.

Ray Granlund, músico e produtor musical natural dos EUA, é um dos autores que actuará ao vivo a 11 de Maio. Depois de uma carreira académica ligada à música nos Estados Unidos, Granlund mudou-se para Macau, onde criou a Panda Artist Managment, que organiza concertos e representa bandas. Nesta composição para “L’Atlantide”, o músico usará um piano electrónico.

A quarta parte do filme, em que o tenente se vê de coração despedaçado por decidir deixar Antinéa, foi a que tocou a Ray Granlund. Através dos teclados electrónicos, o músico explica que tem à disposição toda uma paleta de sons que conta usar para tornar a música como que num reflexo do filme, que seja capaz de arrancar o filme da tela. O autor acredita que, amplificando as emoções através da música, pode ajudar a tornar o filme mais poderoso.

Para Granlund, toda a narrativa de “L’Atlantide” é como uma metáfora: Antinéa e o seu reino representam o deserto; os dois militares simbolizam a colonização. Ainda que a colonização e as guerras estão manchadas pela morte, os invasores não conseguem esquecer a beleza dos lugares que desejavam conquistar, tal como o tenente não consegue esquecer Antinéa. Ray Granlund tentará recriar uma certa geografia através do som, sugerindo imagens como o deserto, os camelos, os soldados, recorrendo para isso a elementos da música africana e árabe.

O músico chinês Yuen Chao, outro dos que formam parte deste projecto, olha para “L’Atlantide” de um prisma mais próximo do entretenimento e vê-o como um filme de aventuras que conta a história de um tenente rodeado por um ambiente hostil e vilões.

A segunda parte do filme, que será musicada por Yeun Chao, retrata a entrada no deserto e a descoberta por parte dos dois soldados do reino dominado por Antinéa. O músico considera difícil retratar a natureza humana através de sons e acrescenta que, à data da filmagem de “L’Atlantide”, as noções musicais e o advento do som e da imagem estavam numa fase totalmente diferente, razão pela qual encontra no filme ritmos muito particulares. Também recorrendo ao piano electrónico, Yeun Chao espera conseguir manter a toada ‘vintage’ da fita.

Já Paulo Pereira, músico português, sugere uma abordagem baseada no saxofone e no fagote. O artista descreve o filme como impressionista e prefere mais tradicional aos instrumentos e à música para acompanhar as imagens. Recorrendo a linguagens musicais francesas, Paulo Pereira deseja criar uma certa aura de sarcasmo em volta do filme. Responsável por musicar a parte inicial de “L’Atlantide”, recheada de cenas de ambiente, o autor refere que o maior desafio será comunicar as diferentes ambiências do deserto sem aborrecer o público.

Mais filmes, mais música

O Teatro D. Pedro V receberá outra sessões de cine-concertos, inseridos na programação do Festival de Artes e do Le French May. A 10 de Maio, pelas 20h, o clássico “O Fantasma da Ópera” (1925), de Rupert Julian, será musicado pelo colectivo Octuor de France, especializado em animar filmes mudos. Os Octuor de France já estiveram no Festival de Cinema de Cannes e noutras das maiores mostras de cinema do mundo.

A 11 e 12 de Maio, será a vez de “Un Chien Andalou”, de Luis Buñuel, e “Les Triplettes de Belleville”, de Sylvain Chomet, poderem ser vistos em Macau.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s