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“É preciso filmar sobre temas diferentes em Macau”

BOMBOM5.mp4.Still001Cheok Wai Lei é de Macau, estuda Cinema na Faculdade e Centro de Arte de Design, na Califórnia, e acaba de vencer um prémio com um teledisco para a dupla de hip hop Macklemore & Ryan Lewis. Quer voltar a Macau e fazer parte da indústria local, para a qual tem ideias. Deixar de filmar apenas sobre a cultura local é uma delas.

Hélder Beja

Um prémio no concurso Rush 48, organizado pelo Centro Cultural de Macau, um filme apresentado no Festival Internacional de Cinema e Vídeo local, vários trabalhos publicitários e agora um prémio nos Estados Unidos da América (EUA). Com apenas 23 anos, Cheok Wai Lei já tem um portfólio significativo (www.cheokwailei.com) e está agora a estudar Cinema da Faculdade e Centro de Arte de Design, em Pasadena, na Califórnia. Recentemente, foi distinguido pelo teledisco produzido para a dupla de hip hop Macklemore & Ryan Lewis.

O concurso lançado pelos músicos norte-americanos decorreu entre Fevereiro e Abril deste ano, pedindo imagens que ilustrassem da melhor maneira o tema instrumental de título “BomBom”. Houve mais de 200 participantes e o prémio foi para o estudante de Macau. Lei tem agora a possibilidade de  participar já este fim-de-semana no festival Sasquatch 2013, em Seattle. Em entrevista, fala do que ainda quer fazer nos EUA e de como deseja voltar a Macau para ajudar a desenvolver o cinema local.

– Venceu o concurso lançado pelo duo americano de hip hop Macklemore & Ryan Lewis. É importante para si?

Cheok Wai Lei – Participei em alguns concursos quando estava ainda no ensino secundário e ganhei alguns prémios em Macau. Este prémio com o vídeo para a música “BomBom” é o meu primeiro nos Estados Unidos, o que é bastante importante, porque significa que o público norte-americano também gosta e desfruta dos vídeos que faço e dos conceitos que apresento. É muito encorajador para continuar a trabalhar e para me tornar profissional nesta área.

– Ficou surpreendido com o prémio?

CWL – Não esperava ganhar o concurso. Só soube do prémio quando um amigo me ligou aos gritos a dizer-me que tinha vencido. Disse-lhe para se acalmar e fui logo espreitar a página oficial do concurso. Finalmente tive a certeza de que tinha ganho e não queria acreditar.

– No seu currículo tem já alguns filmes apresentados em Macau. Que filmes são esses?

CWL – O primeiro chama-se “The New Era” e foi filmado em 2010. Venci com esse projecto o prémio do Rush 48, organizado pelo Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau. O segundo é “The Assimilation”, feito em 2012, que é uma narrativa de 15 minutos sem qualquer diálogo.

– O Instituto Cultural noticiou a sua vitória neste prémio e apresentou-o a si como bolseiro desta instituição. A bolsa concedida é suficiente para estudar nos EUA?

CWL – Antes de mais, não é uma bolsa de estudo, mas mais uma ajuda monetária concedida por um ano. Tenho de agradecer ao Instituto Cultural esta oportunidade que me foi dada de estudar no estrangeiro. O dinheiro não é suficiente para cobrir os meus estudos nos EUA, mas ajuda muito.

– Depois de terminar os seus estudos na Califórnia, pensa voltar a Macau ou pretende ficar pelos EUA a trabalhar?

CWL – O meu objectivo é ficar nos EUA numa primeira fase, porque quero continuar a estudar e absorver mais conhecimento enquanto desenvolvo o meu trabalho no terreno. Depois, voltarei a Macau e darei o meu melhor para ser parte do desenvolvimento da indústria cinematográfica da cidade.

– Profissionalmente, qual é a sua meta?

CWL – Quero tornar-me director de fotografia e trabalhar com todos os realizadores que queiram compor imagens belas. Ao mesmo tempo, desejo realizar telediscos, já que tenho muitas ideias e criatividade para trabalhar nesta área – quero fazer isto sempre que possa. Diria então que quero ser director de fotografia e também realizador.

– Qual é a sua opinião sobre a actual indústria cinematográfica de Macau?

CWL – Macau tem uma indústria de cinema independente e eu adoro trabalhar nessa indústria. É uma grande lição para aprender a lidar com os projectos e as pessoas quando existem orçamentos limitados para fazer filmes. Considero que Macau tem muita gente talentosa, mas a maior parte não sabe quase nada sobre cinematografia e luz. A cinematografia tem um papel muito importante, porque permite dar ao filme a atmosfera e o tom desejados. Julgo que deveriam existir mais recursos para que pudéssemos aprender mais sobre estas áreas em Macau. Outra coisa de que me venho apercebendo é que a maior parte das pessoas em Macau está a filmar sobre a cultura local, os casinos, as profissões tradicionais, etc. Acho que tudo isso é importante, mas pode não ser importante para as pessoas fora de Macau. Considero que a melhor forma de chegar aos públicos fora de Macau é filmar sobre temas diferentes, que não sejam a cultura local. É preciso filmar sobre temas diferentes em Macau. Acho que Macau tem grande potencial para rodagens, só precisamos de encontrar um modo de fazer com que isso aconteça.

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