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Art Macao arranca no Venetian

1 art macaoO director da Art For all, James Chu, defende que a feira de arte do território tem de conseguir distinguir-se das outras para sobreviver. E o presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng, espera que este seja apenas “o primeiro passo” para qualquer coisa maior. A Art Macao está no Venetian até domingo.

A primeira edição da Art Macao abriu portas ontem, no casino-resort Venetian. A feira de arte organizada pelo grupo Longhei ocupa uma área de 6.500 metros quadrados no centro de convenções e conta com a participação de cerca de 50 galerias da China Continental, Taiwan, Coreia, Japão, França, Bélgica, Israel, Canadá e Portugal, que apresentam no certame mais de 1.000 obras.

Macau está representada pela Art For All, Fundação Rui Cunha, Macau Art-Alliance, Centro de Investigação de Arte das Gravuras Internacional de Macau e Associação para as Indústrias Criativas. O certame divide-se em três secções, com uma dedicada a trabalhos mais clássicos, outra para a arte contemporânea e outra para peças que estarão a leilão. Haverá ainda uma série de palestras e duas exposições. A organização espera receber cerca de 20 mil visitantes até domingo.

James Chu, artista de Macau e director da associação Art for All, sublinhou a importância de o território, “enquanto cidade internacional, ter uma feira de arte”, mas considera que Macau “tem ainda muito a aprender e experiência a adquirir”. Avisa ainda que Macau “não deve esperar tornar-se num centro de arte da Ásia”, devido à limitada dimensão do mercado local.

“Há feiras de arte em todo o mundo, mais de 300, e Macau precisa de ter alguma coisa para que as pessoas se lembrem desta feira. Hong Kong tem das melhores feiras de arte do mundo e nós estamos tão perto. Por isso. se não mostrarmos a nossa diferença, por que razão é que as pessoas virão a Macau?”

O presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng, referiu, à margem da cerimónia de inauguração da Art Macao, que o território “tem finalmente capacidade para organizar uma feira de arte desta dimensão” e manifestou-se satisfeito por a mesma não ter esquecido os artistas locais. “Esta feira é só o primeiro passo, espero que no futuro possa crescer e tornar-se numa referência desta região da Ásia, porque não basta uma cidade ter dinheiro, o mais importante é a cultura, porque ela é a alma da cidade”, concluiu.

José Drummond, artista que tem obras expostas na feira, considera que este certame é o primeiro passo para o território desenvolver um mercado de arte e poder até “ambicionar ter uma trienal de arte contemporânea”. Drummond defende, por isso, a continuidade da feira, como a organização planeia, e salienta como aspectos positivos o facto de contar com galerias de várias regiões do mundo e com uma exposição dedicada aos artistas de Macau, para que estes possam ter uma plataforma directa e mostrarem o seu trabalho num contexto internacional.

A Art Macao deu a Gary Mok a responsabilidade de fazer a curadoria de uma exposição de artistas locais para acompanhar a feira. O resultado é “Hoje e Amanhã”, mostra que também inaugurou ontem e que reúne autores já com uma longa carreira, como Mio Pang Fei, Carlos Marreiros, Konstantin Bessmertny e José Drummond; e artistas de uma geração que está agora a dar os primeiros passos, casos de Fortes Pakeong Sequeira, Lai Sio Kit e Ann Hoi. Os trabalhos apresentados vão da pintura a óleo à gravura e fotografia, do vídeo à escultura em papel.

Galeria portuguesa à procura de negócio

A galeria Cordeiros, do Porto, é a única presença portuguesa na primeira feira de arte de Macau, apresentando no certame 39 obras de artistas portugueses e estrangeiros, incluindo um quadro de Andy Warhol.

Numa feira quase exclusivamente dedicada aos circuitos artísticos asiáticos, a Cordeiros é uma das excepções. A galeria, aberta desde 1995 na casa onde nasceu a escritora Sophia de Mello Breyner, no Porto, está pela segunda vez a participar em certames de arte na Ásia, depois de Singapura, já que este mercado regional revela “grandes possibilidades de crescimento”, disse à agência Lusa o director, Agostinho Cordeiro.

“Temos expostas aqui 39 obras de pintura e fotografia de artistas portugueses como Moita Macedo, António Macedo, Mário Bismarck, Nuno Cordeiro, Baltasar Torres, Sobral Centena, e estrangeiros, como o espanhol Barceló e Andy Warhol”, indicou o responsável.

O retrato de Barbara Molasky, de Andy Warhol, que data de 1980, é a obra mais valiosa da Cordeiros, apresentando um valor de cinco milhões de euros, mas a galeria apresenta também em Macau arte a preços mais acessíveis, como duas fotografias de Nuno Cordeiro, que valem 1.200 euros cada uma.

Agostinho Cordeiro começou a adquirir obras de vários artistas há mais de 30 anos e hoje a sua galeria conta com “algumas centenas” de peças de pintura, escultura e fotografia assinadas por nomes como Tàpies, Paula Rego e Julião Sarmento, entre outros, mas a crise em Portugal forçou uma internacionalização do negócio.

“A situação em Portugal é dramática, não há compradores, há mais vendedores, porque a crise é muito grande e as pessoas desfazem-se dos bens e há muita gente a desfazer-se da pintura, por isso começámos a apostar fortemente em feiras internacionais no ano passado”, explicou. A Art Macao é já a quinta em que a Cordeiros participa este ano.

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