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Um olhar sobre os templos na Casa Garden

1A artista Madalena Fonseca apresenta até 7 de Julho a exposição de pintura e gravura “Templos de Macau – os deuses e a terra”. Para ver na Casa Garden.

A mostra “Templos de Macau – os deuses e a terra” inaugurou ontem nas instalações da Fundação Oriente, na Casa Garden. As obras, da autoria da artista Madalena Fonseca, são resultado da residência artística levada a cabo ao longo deste ano pela autora na delegação da Fundação Oriente em Macau.

“Quando comecei a visitar os templos de Macau tudo era muito intenso: as cores, os cheiros, as formas, os gestos, o exotismo”, conta a autora num texto que apresenta a exposição. Madalena Fonseca – cuja obra está representada nas colecções da Fundação Calouste Gulbenkian, da Câmara Municipal da Amadora, do Museu Municipal de Santiago do Cacém e da Fundação António Prates – refere que para consumar a esta mostra foi primeiro necessário “compreender um pouco daquele mundo tão misterioso”. “Foram precisos muitos momentos de contemplação. Tive de fotografar, desenhar e pesquisar para poder interiorizar tudo o que sentia. E já nada era exótico e já podia começar a pintar.”

Foi assim que percorreu os lugares de culto do território, dando cor e forma às tradições religiosas locais. “Reencontrei em Macau muito do ambiente que vivi na Ilha de Moçambique onde, também como aqui, coexistem diversas religiões, raças, formas de viver…”, conta a artista, que além desta exposição na Casa Garden já participou em colectivas noutros pontos da Ásia, como em Hong Kong (Hong Kong Art Fiesta 2010, “Convergence/ Divergence – International Prints Exchange Exhibition”) e em Fukushima, Japão (Contemporary Graphic Art, “after11.3”).

Nascida em Moçambique em 1946 e licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, Madalena Fonseca vive há três anos no território. Ao longo de 2012, teve “o enorme privilégio de usufruir da beleza daquela casa”, a Casa Garden, para continuar o seu percurso artístico durante “vários meses de trabalho”.

Em Macau, a artista conseguiu dar corpo a um fascínio pelo Oriente que já vinha de trás. “Sempre senti grande atracção pelas culturas orientais e por tudo o que essas culturas têm produzido ao longo dos séculos”, continua. A explicação do processo criativo contrapõe-se à velocidade a à agitação da cidade onde cria: “Pinto a óleo sobre tela em pequenos formatos. Faço uma pintura de lentidão e meditação mesmo quando se impõe a urgência de encontrar, destruir, reconstruir: aplico a tinta, faço-a deslizar, deixo-a escorrer, retiro-a, diluo, raspo, cubro com outra cor, faço acontecer a transparência, a sombra e a luz.”

Na gravura, Madalena Fonseca prefere utilizar “as técnicas mais antigas”. “Gosto muito de fazer mezzotinta, técnica que nos vem do século XVII: sulcar o cobre, rascar, brunir…” E conclui: “Quero despertar a matéria, procuro a luz que irrompe do negro mais profundo. Quero confirmar que existo.”

A artista já teve mostras individuais em Lisboa, na Cooperativa de Gravadores Portugueses (“Sentindo os Sentidos”, 1998) e na Galeria S. Bento 34 (“Dos Afectos”), bem como no Museu Municipal de Santiago do Cacém (“No Correr do Tempo”, 2000). Além disso, participou em várias colectivas, de Espanha à Bulgária e à Holanda, passando pelos Estados Unidos da América, Suíça e França. Agora é a vez de Macau, onde Madalena Fonseca quer expressar a sua grande convicção artística: “Acredito no mistério das cores e das formas. Acredito que a humanidade se pode redimir pela Beleza.” A beleza de acordo com Madalena Fonseca está para ver na Casa Garden até 7 de Julho.

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