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Johnnie Walker faz renascer Bruce Lee

imageedit_9_7690327461Parece ele, soa como ele e diz coisas que ele diria. No entanto, o mais recente anúncio da Johnnie Walker para o mercado chinês não conta com a participação do ícone de Hong Kong Bruce Lee. O impressionante trabalho gráfico agradou no Continente mas deixou o território vizinho indignado.

 

Bruce Lee regressou, quase 40 anos depois da sua morte. A ressurreição tem um propósito muito específico: promover a marca de whiskey escocesa Johnnie Walker Blue Label. A notícia foi tudo menos pacífica e dividiu os fãs do actor.

O novo anúncio da marca para a China faz uso de um sofisticado design gráfico para recriar Lee, projectando uma imagem do actor enquanto este se passeia pelos terraços de Hong Kong, com o skyline da cidade como pano de fundo. Enquanto anda, Lee faz um breve discurso.

“Os dragões nunca morrem, porque os dragões vão buscar o seu poder à água. A água é como o instinto. Sem forma, fluída. Não se pode apanhá-la. Mas se a deixares fluir, ela tem o poder de mudar o mundo. Eu acredito no instinto.” E continua: “Tens a coragem de seguir o teu instinto? Tens a coragem de expressar quem és? Sê água, meu amigo. Porque um dia serás mais que sucesso. Serás um agente da mudança”.

O anúncio termina com uma imagem aproximada de uma garrafa de Johnnie Walker Blue Label. O South China Morning Post (SCMP) cita a revista de marketing Campaign Asia-Pacific que avança uma interpretação: a marca usa a imagem de Bruce Lee porque procurava um “agente de mudança” para ser a cara da Blue Label, que “mistura o velho e o novo whiskey”.

Filmado no Hotel Crown Plaza, em Causeway Bay, o anúncio usa o sósia de Bruce Lee, o actor de Hong Kong Danny Chan Kwok-kwan. Uma recriação digital da expressão facial de Lee foi colada por cima do rosto de Chan, e a narração foi escrita de modo a representar uma combinação de variadas frases e filosofias expressadas pela falecida estrela do cinema em vida. A filha do actor, Shannon Lee, foi consultora do projecto.

O anúncio estreou na China no domingo, coincidindo com outras actividades que assinalaram os 40 anos da morte do actor. Segundo o SCMP, há já planos para levar a publicidade a outros locais. No anúncio original, Lee fala mandarim. A versão em cantonês existe, mas é dobrada – uma escolha “estranha”, diz o jornal de Hong Kong, já que Bruce Lee era falante de cantonês.

“Trabalhámos para criar um Bruce Lee [digital] durante nove meses”, explica Joseph Kahn, director do projecto, através de um comunicado enviado ao SCMP. “Cada imagem da sua cabeça e cada detalhe é completado com CGI [Computer-generated imagery]. Conseguimos juntar a Shannon Lee, filha de Bruce Lee, à equipa e usámos toda a sua memória para garantir que tudo estava realista, do aspecto à alma. Queríamos que fosse o mais respeitoso possível em relação ao homem e à lenda”, conta.

Bruce Lee é uma das personalidades de Hong Kong mais famosas mundialmente. Morreu em Kowloon Tong, a 20 de Julho de 1973, com 32 anos. Conhecido internacionalmente pelos seus filmes, Lee era também um filósofo que defendia que, tanto nas artes marciais como na vida, devemos “não ter forma, como a água”, um mantra que a Johnnie Walker adaptou para o seu spot publicitário.

No entanto, nota o SCMP, o livro de 1978 “Bruce Lee: The Man Only I Knew”, escrito pela sua mulher Linda Lee Cadwell, conta como o actor deixou de beber depois de um período de adição que o deixou em maus termos com a família.

O anúncio está a criar agitação nos micro-blogues chineses da Sina Weibo, onde acolheu uma maioria de reacções positivas – muitos estão mesmo a apelidar a publicidade de “um tributo a um ícone chinês”.

“Estes gráficos digitais estão a levar ao renascimento de uma lenda”, comentou um utilizador do Continente. No entanto, os fãs ocidentais e de Hong Kong não foram tão receptivos e descreveram o anúncio como sendo “de mau gosto” e “não um tributo mas apenas um anúncio comercial”.

“A animação é, sem dúvida, incrivelmente realística [e parece] Bruce Lee. Mas colocar todo esse talento só para se poder vender álcool? Acho vergonhoso. O homem nem sequer bebia álcool. O facto de ele ter ‘renascido’ de forma tão vívida para promover um produto e um estilo de vida a que ele não aderiu, sem ter escolha na matéria, sinto é que imoral e mostra a depravação do marketing de massas dos dias de hoje”, critica o realizador de Hong Kong Edwin Lee, ao SCMP. E remata: “Tudo isto para entrar no mercado chinês, razão pela qual nos deparamos com um ícone cultural de Hong Kong a falar mandarim”.

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