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A última viagem

PARAGRAFO 131-1A derradeira etapa do projecto T(h)ree juntou quase 50 nomes da Coreia do Sul, do Japão e de Portugal, em gravações que decorreram nos últimos três anos. O resultado final deverá ter edição discográfica em 2014 e o grande objectivo volta a passar por transpor a ideia para concerto.

Pedro Galinha

David Valentim quis tornar o último capítulo do projecto T(h)ree numa “viagem coesa e rica a nível musical”. Para isso, convidou cerca de 50 músicos da Coreia do Sul, do Japão e de Portugal.

“Foi um processo longo e complexo e, felizmente, está a acabar da melhor forma”, conta o mentor do T(h)ree, a partir de Singapura. “O terceiro volume é um pouco diferente dos anteriores. Foi gravado entre 2010 e 2013, e o conceito desenvolveu-se da seguinte forma: os músicos convidados compuseram as suas partes, pegando no ponto final em que a música anterior foi deixada. Portanto, é um álbum que se vai criando a partir de pontas soltas. O produto final ouve-se, praticamente, como uma única composição que se vai transformando ao longo da sua duração, criando assim uma viagem sonora única, tocada por muita gente à qual não associamos a este tipo de som”, descreve David Valentim.

Da Coreia do Sul participam Shadow Kim, Tengger, Yamagata Tweastker, Kanghee Choi, Sookung Kae, Ninano Nanda, Pyunsun Dan, Gamin, Tora Brava e Minghee Park. Nomes desconhecidos para a grande a parte do público lusófono, o que também acontece com os artistas oriundos do Japão Doddodo, Toijishi Mikawa, Hiroshi Hasegawa, Sachiko Fukuoka, Tyme, Chihiro Butterfly, Hidekazu Wakabayashi, Marcos Fernandes, Tomoyuki Kanazu, 34423, Kakushi Nishihara, Yukitomo Hamasaki, Caman Calmato e Motomitsu Maehara.

Mais mediáticos são os portugueses Mão Morta, Tó Trips e Bizarra Locomotiva. Depois, há ainda Guta Naki, Pedro Paulo Gonçalves (ex-Heróis do Mar), Calhau!, Telectu, Noiserv, Filho da Mãe, Capitães da Areia, Stereoboy, Nuno Rebelo, Black Bombaim, Samuel Jerónimo, O Experimentar, M-Pex, Um Zero Amarelo, Tiago Sousa, Loosers, Toca Rufar, Gil Dionísio, shhh…, Moullinex, Best Youth, Francisco Rebelo e Luís Vicente.

O disco, que resultará dos “encontros” entre estes músicos, feitos a partir das novas possibilidades de comunicação à distância, deverá ser editado “no último trimestre de 2014” e o objectivo final passa por apresentá-lo ao vivo. “Estamos a trabalhar nisso e a reunir apoios, para que o projecto seja transposto para o palco em Portugal, de novo pela mão da Fundação Oriente”, confia o produtor português, que arrancou com a ideia em 2008 e escolheu como primeiras paragens Hong Kong, onde vivia, Macau e Portugal. Na segunda edição, a representação asiática ficou a cargo de artistas das Filipinas e de Singapura.

Música universal

Para David Valentim, o principal trunfo do T(h)ree é “a forma livre com que o projecto é feito, explorando sonoridades diferentes e dando um sentimento de universalidade à música portuguesa”. “Fala-se muito da necessidade da internacionalização da nossa música, mas esquece-se que hoje o mundo está à distância de um clique. Através da Internet, os músicos envolvidos neste projecto desenvolveram parcerias e deram-se a conhecer, produzindo algo em conjunto, numa perspectiva bilateral. A música portuguesa ganhou assim novas sonoridades e chegou a outras latitudes”, argumenta.

Com a mistura de diversos géneros e backgrounds musicais dos artistas, o resultado final é sempre difícil catalogar. “O único género dominante é a boa música”, assegura David Valentim, que sobre o futuro disco do T(h)ree afirma que “foi feito para não ser catalogável”.

“No entanto, acho que aceito o facto de se poder dizer que este é um álbum onde há, sobretudo, música experimental”, acrescenta.

Se uma das metades do projecto é o encontro entre culturas, a outra tem uma vertente solidária. É que todos os lucros obtidos vão parar à associação Make a Wish.

“Não queremos ganhar dinheiro com a venda dos álbuns. Queremos celebrar a música e doar os lucros desse acto a quem, por motivos de saúde, tem menos motivos para celebrar”, frisa David Valentim, que sobre as principais dificuldades que foi encontrando pelo caminho nomeia a escassez de apoios institucionais para levar avante o projecto: “É muito difícil andar constantemente num regime de peditório miserável, quase de mão estendida, para arranjar uns tostões aqui e ali, de forma a alimentar este projecto, que, não esqueçamos, tem como um dos seus objectivos promover a cultura portuguesa no mundo. Quando se mendiga por apoios, e estes não aparecem, só há duas soluções: desistir ou ir em frente de qualquer forma”.

Optando pela segunda hipótese, o homem por detrás do T(h)ree provou o sabor amargo de estar nas rédeas de um projecto que “não é nem quer ser algo pertencente a um certo ‘mainstream’ facilitista”. Mas, mesmo assim, o balanço final que David Valentim faz não podia ser mais positivo.

“Foi um projecto que nas suas três edições, envolveu 100 projectos musicais diferentes, juntou pessoas que não se conheciam e criou laços através de intercâmbios que nunca tinham sido feitos desta forma, a esta escala”, resume.

Mas o legado não fica por aqui, já que dois projectos musicais nasceram a partir das colaborações promovidas pelo T(h)ree: “Um está a desenhar-se.  Envolve músicos contemporâneos portugueses e colaborações com músicos tradicionais de Macau, mas ainda espera apoios. Cada vez mais a solidificar-se está uma banda composta por ex-elementos d’Os Golpes e dos Toi (banda filipina), ao qual se juntou um compositor japonês. Todos eles participantes no projecto T(h)ree.  Chamam-se The Mighty Terns e o tempo revelará as grandes potencialidades destes músicos” (ver página seguinte).

Palcos de Macau mais longe

David Valentim revelou em entrevista  ao PONTO FINAL, no ano passado,  que estava a tentar estender o projecto T(h)ree para os palcos de Macau, numa espécie de evento anual que serviria para celebrar a ligação cultural entre Portugal e a Ásia. No entanto, ainda não obteve o apoio necessário para concretizar este desejo.

“Parece haver outras prioridades ou apenas limitações orçamentais. Não me quero pronunciar sobre isso porque nunca mais tive resposta concreta da parte da Fundação Oriente em Macau. Mas o projecto apresentou-se no território,  no Festival Literário, em Março passado, com as actuações de Bernardo Devlin e Wilson Tsang. Foi um pequeno passo, ao qual estou enormemente agradecido, e que espero que resulte noutros, mais sólidos, com outras condições e numa escala diferente”, confia.

Depois do lançamento do ultimo volume do T(h)ree, “a principal vida do projecto deverá ser em palco”, antevê David Valentim. Em nome do reconhecimento dos músicos, salienta, porque é deles que advém o grande apoio que tem tido. “E é esse que mais aprecio e ao qual este projecto é dedicado”, conclui. P.G.

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