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ENTRE DOIS MUNDOS

Pearl S. Buck

A Eterna Demanda

Elsinore

(tradução de Margarida Periquito)

 

EternaDemandaCritica

Sara Figueiredo Costa

 

Distinguida com o Prémio Nobel da Literatura em 1938, Pearl S. Buck foi uma escritora de muitos leitores durante o seu tempo de vida, sendo grande parte da sua obra marcada pelo facto de ter crescido na China, para onde foi viver aos três anos. O tema das diferenças culturais e dos preconceitos associados surge em muitos dos seus textos, revelando um conhecimento dedicado sobre a cultura e a sociedade chinesas da primeira metade do século XX.

A Eterna Demanda, publicado há dois anos nos Estados Unidos, teve o ano passado a primeira tradução portuguesa. O romance permaneceu inédito, excluído do espólio deixado pela escritora, que morreu em 1973, entre disputas pela herança familiar e papéis perdidos em diferentes lugares. Recuperado por um dos filhos de Buck, Edgar Walsh, que assina a introdução, este é um romance em primeira versão, que não chegou a ser revisto, e cujo trabalho editorial teve de ser assegurado por Edgar Walsh e pela editora.

Com a estrutura clássica de um romance de crescimento, a acção do livro decorre entre os Estados Unidos da América e a Europa, concretamente Londres e Paris, com incursões ao Oriente. A formação do jovem Randolph, uma criança-prodígio que cresce desnorteada pelo peso do consegue aprender e que se transformará num homem ponderado e capaz de conviver com os seus fantasmas. Para isso contribuirão a mulher por quem se apaixona e o respectivo pai, chinês, cumpridor dos preceitos tradicionais que herdou da sua família. Do ponto de vista literário, A Eterna Demanda não é um grande romance. Percebem-se as arestas por limar numa narrativa que por vezes escorrega na ladainha moral e os lugares-comuns pairam em algumas cenas, nomeadamente as que reflectem sobre diferenças culturais. Apesar disso, a publicação não perde o seu sentido. Pelo contrário, para o entendimento de um autor podem contar também os livros inacabados e aqueles que não têm como tornar-se memoráveis. No caso de Pearl S. Buck, este é um livro que importa ler para conferir à sua obra uma outra dimensão, onde as estruturas e o cânone de certa literatura ocidental se encontram com a descrição de costumes e uma reflexão, tantas vezes ingénua e maniqueísta, sobre o que une ou separa duas geografias.

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