Editorial

Parágrafo #4

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Com a quinta edição do Rota das Letras a marcar o mês de Março, seria difícil escolher outro destaque para esta edição do Parágrafo. Assumindo que o festival é uma organização levada a cabo pelo Ponto Final, coisa que, aliás, é pública e bem divulgada, não valeria a pena executar o número da humildade distraída, ignorando ou relegando para segundo plano um evento até agora sem igual em torno dos livros e da leitura. Quinze dias de programação e mais de cinquenta escritores na cidade assim o exigem, mas porque cinco anos são aquele primeiro número redondo que convida a balanços e perspectivas, escolhemos conversar com dois autores – Rui Zink e Hu Ching-Fang – que regressaram a Macau e ao festival literário, para ouvir, de viva voz, o que tem mudado neste encontro anual e na sua relação com a cidade. Também à boleia do Rota das Letras, conversámos com Zheng Yuanjie, um dos mais conhecidos autores chineses de literatura para a infância. E enquanto procurávamos conhecer melhor os contornos de um mercado, o dos livros para o público mais novo, que é o único que não deixa de crescer em todos os países (mesmo os que estão em crise crónica, como Portugal), acabámos por descobrir um escritor que tentou a sorte na ficção literária e a quem a fama de “autor infantil” não deixou vingar noutro domínio.

Uma nota de destaque para a apresentação da nova vida da Associação Amigos do Livro, de Macau, que regressa ao activo depois de uma década em pousio. Ainda é cedo para avaliar o impacto que uma organização como esta pode ter no espaço onde duas línguas (ou três, em boa verdade, ou talvez mais) se encontram diariamente sem muitas vezes se cruzarem, e onde a edição e a circulação de livros podiam ser o terreno privilegiado para a reflexão sobre esses encontros e desencontros e o ponto de partida para outras viagens, perto ou longe. Nos próximos meses, valerá a pena acompanhar de perto as propostas desta associação e, de caminho, começar a discutir a sério o panorama editorial e livreiro de Macau, a circulação de livros vindos de países como Portugal ou o Brasil, a tradução para a língua chinesa de autores que escrevem em português, e vice-versa, o modo como se divulgam (ou quase não se divulgam) os autores de Macau e as obras sobre Macau fora de Macau.

 

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