Editorial

Parágrafo #5

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Sara Figueiredo Costa

É uma excelente notícia para a literatura em língua portuguesa: Mia Couto será traduzido em mandarim pela primeira vez, com o livro A Confissão da Leoa, e a sua tradutora, Ma Lin, falou connosco sobre os desafios e as dificuldades desta transposição que não é apenas linguística. É o destaque deste mês do Parágrafo e um bom ponto de partida para dedicarmos mais atenção ao que se vai traduzindo, e ao muito que fica por traduzir, entre estes dois idiomas.

Podia ter sido “sem lenço nem documento”, como canta Caetano Veloso, mas foi com o visto validado e um mapa com os nome das ruas em pinyin que rumámos a Pequim para assistir ao Bookworm Literary Festival. Na sua décima edição, o festival literário juntou na capital chinesa perto de duzentos autores de várias origens, todos comunicando em inglês perante plateias muitas vezes esgotadas, no espaço acolhedor da livraria Bookworm. Durante quatro dias, o Parágrafo andou por ali, ouviu escritores e jornalistas, conversou com a organização do festival e regressou a Macau com algumas histórias para contar.

Não foi premeditado, mas este mês entregamos a página de crítica aos livros de duas autoras brasileiras. Foi uma coincidência na geografia das nossas leituras, mas não deixa de ser um sinal da actividade literária prolífica que tem chegado do Brasil, quer nas editoras de grande dimensão, quer nas chancelas independentes e com circulação mais dependente do passa-a-palavra do que do marketing editorial.

Uma nota final para não deixar esquecer o caso dos livreiros e dos editores desaparecidos em Hong Kong, cujo desfecho parece longe de surgir. Recentemente, o aeroporto de Hong Kong encerrou todas as livrarias Page One que ali faziam negócio, bem como metade das Relay, anunciando a substituição destes espaços por livrarias da Chung Hwa, cadeia livreira da China continental. Nem o aeroporto nem os responsáveis pelas livrarias assumiram qualquer ligação entre estes encerramentos e o caso dos livreiros e editores desaparecidos em Hong Kong, mas o South China Morning Post apontou essa possibilidade, na medida em que as livrarias do aeroporto costumavam ter para venda vários livros proibidos no continente. Valerá a pena não perder a atenção ao assunto, sob pena de estarmos a perder a liberdade de acesso e leitura em territórios onde a liberdade de expressão é legalmente garantida (mesmo que nem sempre seja plenamente assegurada).

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