Editorial

Parágrafo #10

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O “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” que Jorge Ben Jor inventou e Gal Costa imortalizou tem vivido dias conturbados. Chegado a Lisboa vindo desse outro Atlântico tão distante do Rio das Pérolas, o cronista Antonio Prata apresentou-se fluente em meia dúzia de frases em mandarim, desculpou-se por não serem em cantonês e conversou com o Parágrafo sobre o seu livro acabado de publicar em Portugal. Meio Intelectual Meio de Esquerda reúne crónicas dos últimos quinze anos e confirma que estamos perante uma das vozes mais originais da prosa brasileira dos nossos dias. Entre o quotidiano onde tudo acontece – dos gestos banais às grandes convulsões históricas – e a consciência aguda de que o Brasil não pode continuar sem rumo, Antonio Prata escolhe manter a atenção ligada a tudo. Até aos bares de quinta categoria, cuja descrição vale a pena citar: “Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.” Funcionaria numa tasca do Porto Interior? Queremos acreditar que sim.
Este mês, estreamos uma rubrica que há-de regressar sem periodicidade fixa: “Leitura Prévia” mostra, em pré-publicação ou pouco depois da saída de um livro que nos pareça valer a pena dar a ler, um pouco do que pode ser descoberto nas páginas devidamente encadernadas que hão-de chegar às livrarias. E estreamos com Mário de Carvalho, para que a fasquia comece mesmo muito alta.
Para fechar o mês em que se cumpriu o Festival do Meio do Outono e o feriado do Bolo Lunar, um conto de Rolando Maria da Luz a propósito da celebração anual, mas também da identidade e do quanto uma festa é sempre mais do que uma festa.

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