Editorial

Parágrafo #13

Sara Figueiredo Costa
capa13Sem querer ocupar o último editorial de 2016 com balanços, importa deixar escrito que este foi o ano em que a Academia Sueca do Nobel abanou o mundo literário com uma distinção pouco ortodoxa. Bob Dylan foi o vencedor, é mais do que sabido, e a tinta continua a correr, opondo os defensores de uma abertura da Academia a formas literárias menos ortodoxas e os detractores de uma suposta cedência ao populismo. Dylan não foi receber o prémio, mas Patty Smith fê-lo no seu lugar, interpretando “A hard rain’s gonna fall” perante uma plateia emocionada, em Estocolmo. Se tudo isto é um indicador de que muito se prepara para mudar no stablishment literário ou apenas um episódio caricato que povoou as redes sociais nos últimos meses, só o tempo o dirá.

Em Macau, os últimos meses de 2016 viram surgir um romance capaz de agitar as águas literárias do território, com efeitos de longa distância a chegarem a Portugal. Arquivo das Confissões. Bernardo Vasques e a Inveja (Livros do Oriente) é uma narrativa sobre algumas das mais obscuras vertentes da natureza humana, cruzando a história de Portugal e a de Macau com uma teia de histórias onde a universalidade é notória, e fez do seu autor o primeiro escritor de Macau a ser convidado para as Correntes d’Escritas, o maior festival literário de Portugal e um dos mais prestigiados no panorama das literaturas em língua portuguesa e castelhana. O livro já seria motivo suficiente, mas também por isto lhe dedicamos o destaque desta edição do Parágrafo, com uma grande entrevista (tão grande que não caberia nestas páginas, pelo que remetemos os leitores que a queiram ler na íntegra para a nossa página: https://paragrafopontofinal.wordpress.com).

O Museu do Oriente, em Lisboa, acolhe uma exposição dedicada à ópera chinesa que tem tido eco assinalável na imprensa portuguesa. No fim de semana inaugural, o público encheu as salas do museu e esgotou duas vezes a plateia do auditório para assistir ao espectáculo da Ópera de Sichuan. Cenários, figurinos, adereços e muitos documentos visuais traçam um panorama histórico, mas também cultural e social, daquela que talvez seja a mais reconhecida expressão artística da cultura chinesa em qualquer parte do mundo. O Parágrafo esteve presente nos dias inaugurais e conta como foi e o que há para ver no Museu do Oriente.

Fugindo dos balanços, deixemos também para trás o muito mau que aconteceu este ano, entre guerras, atentados, crises e outros momentos, alguns trágico-cómicos, que a literatura ainda há-de transformar em memória. Que 2017 seja um bom ano para todos os leitores.

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