Editorial

Parágrafo #14

fullsizerenderDonald Trump tomou posse como Presidente dos Estados Unidos da América na passada terça-feira e no dia seguinte a Amazon viu chegar ao seu top dos livros mais vendidos um título originalmente publicado em 1949. Podia ser uma coincidência, se o livro não fosse o 1984, de George Orwell. O facto talvez se explique na sequência das palavras do porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, que afirmou ter sido esta a tomada de posse mais vista de sempre, isto enquanto as televisões mostravam uma assistência presencial onde os espaços vazios eram predominantes e a imprensa comparava fotografias desta tomada de posse com a de Barack Obama, visivelmente mais participada. Uma repórter do Washington Post comparou a discrepância entre as declarações da Casa Branca e os factos verificáveis ao que se passava na obra de George Orwell, “onde guerra é paz, onde fome é fartura. É o que está a acontecer aqui” e a Amazon foi obrigada a ir aos armazéns. O que Donald Trump fará com o mandato que lhe foi entregue está por descobrir nos próximos anos (ainda que logo nos primeiros dias tanto se tenha revelado…), mas se o seu desempenho à frente do país que almeja ser o farol do mundo contribuir para despertar leitores vorazes, talvez as listas de livros proibidos nas bibliotecas norte-americanas não cheguem para fazer frente à catadupa de distopias que ameaçam sair dos armazéns editoriais. Há quem diga que os livros nos podem salvar, resta saber se conseguirão fazer-nos sobreviver ao futuro mais próximo.

Nesta edição, viramo-nos para o Brasil. Uma nova antologia de poetas contemporâneos dá conta de um território, real e nem tanto, onde a pluralidade de vozes e poéticas é notória. Por cá, com passagem por Lisboa e pelos convívios de uma activa comunidade macaense, alimentamos uma das discussões favoritas do território, aquela que esgrime argumentos em torno do que é ou não é a identidade macaense, agora munidos de aparato académico à altura do debate.

Aproveitando a mudança de ano, inauguramos um novo espaço: Navegar é Preciso pede um verso emprestado a Fernando Pessoa e começa, neste Janeiro, a mostrar o que há de bom para ler na internet. Outras novidades virão, ao longo dos próximos meses. E porque o novo ano lunar está mesmo a começar, kung hei fat choi! Que o ano do galo seja rico, se não em boas notícias, pelo menos em boas leituras.

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