Cerimónia atribulada

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O escritor brasileiro Raduan Nassar recebeu no passado dia 17 o Prémio Camões, distinção maior atribuída às letras em língua portuguesa, numa cerimónia que decorreu em São Paulo, no Museu Lasar Segall. Na presença do Ministro da Cultura brasileiro, Roberto Freire, Raduan Nassar aproveitou o discurso de agradecimento para manifestar o seu desagrado para com o governo do Brasil, liderado por Michel Temer. O autor, há muito retirado da vida pública e apenas com três livros publicados, confessou-se surpreendido com a atribuição do Prémio Camões e, depois de agradecer aos membros do júri, disse que no Brasil “vivemos tempos sombrios, muito sombrios”, referindo-se à violência policial que tem sido presença constante em escolas e universidades cujos estudantes se manifestam contra o governo, bem como nas manifestações de rua e em algumas sedes de partidos políticos. O autor atribuiu a responsabilidade desses actos ao novo governo, destacando o papel de Alexandre de Moraes, que descreveu como uma “figura exótica indicada agora para o Supremo Tribunal Federal”. Em resposta, o Ministro da Cultura mostrou a sua indignação perante o que considerou um aproveitamento político de uma cerimónia cultural, lembrando que o Prémio Camões também é atribuído pelo Governo Brasileiro e dizendo que “quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura.”

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