Editorial

Parágrafo #17

Jorge Luis Borges imaginou o paraíso como uma espécie de biblioteca, Montaigne desligou-se da vida pública para se encerrar numa torre recheada de livros, escrevendo os seus Ensaios, e muito antes disso, algures no século XII, Eloísa terá passado a pente fino as bibliotecas dos mosteiros onde viveu, acedendo aos livros canónicos e descobrindo o caminho furtivo para todos os outros.

Alberto Manguel, autor que tanto tem escrito sobre as bibliotecas e as relações – utilitárias, apaixonadas, identitárias, obsessivas – que com elas estabelecemos, descreve assim a sua biblioteca pessoal: “(…) apesar da arrumação temática e alfabética, é mais um caos benevolente do que um local de ordem, como aquelas feiras da ladra mágicas onde descobrimos tesouros que só nós somos capazes de reconhecer. Tudo o que necessitamos está lá, mas só sabemos o que é quando o vemos. O reconhecimento é nove décimos da satisfação.” (A Biblioteca à Noite, ed. Tinta da China, pg. 97) A literatura dedicada ao tema é vasta, indo das citações memoráveis às longas páginas de relatórios técnicos sobre biblioteconomia. Resumindo uma história antiquíssima, digamos que uma biblioteca pessoal poderá ser aquilo que dela quisermos fazer, mas uma biblioteca pública deve trabalhar para ser uma espécie de centro nevrálgico da comunidade que serve e tem necessariamente de ser muito mais do que um edifício cheio de livros, garantindo o acesso generalizado ao conhecimento e à informação, sem restrições. Com a nova Biblioteca do Patane, damos início a uma série de artigos sobre bibliotecas de e sobre Macau. Públicas, privadas, generalistas ou especializadas, nos próximos meses regressaremos ao tema com regularidade, espreitando estantes, folheando livros e descobrindo o que mais pode ter lugar numa biblioteca para além de volumes com ou sem lombada.

Uma nota final para os livros pensados para leitores mais novos, a assumirem destaque entre as novidades editoriais do mês. A Feira do Livro Infantil de Bolonha parece ter dado o mote para mais um ano cheio de álbuns e livros ilustrados a merecerem a atenção de leitores de todas as idades, assim haja vontade de cruzar texto e imagem com olhos de ler. Voltaremos ao tema numa das próximas edições, com toda a certeza.

Sara Figueiredo Costa

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