Editorial

Parágrafo #18

Sara Figueiredo Costa

Há já algum tempo que circula pela internet um diagrama simultaneamente didáctico e humorístico que promete explicar cabalmente como perceber se um brinquedo é para meninas ou meninos. O diagrama parte dessa dúvida que ainda persiste em tantas cabeças e coloca uma primeira hipótese, da qual parte a resposta: se o brinquedo implica manuseamento com algum dos órgãos que a maioria das pessoas resguarda do olhar público, então não é sequer para crianças; caso contrário, serve para meninas e para meninos. Um diagrama semelhante poderia ser feito para os livros a que chamamos infantis. Se versam temas e utilizam abordagens que não consideramos adequadas para leitores mais novos, então é um livro para adultos; caso contrário, toda a gente pode lê-lo, com maior ou menor proveito, segundo o interesse de cada um. Desse princípio têm partido muitas editoras, criando livros que as livrarias arrumam na secção infanto-juvenil, mas que muitos adultos resgatam saboreando o prazer de uma leitura que pode ser tão intensa ou desafiadora como a de um romance denso ou um manual de física. Tudo depende do leitor. Em Portugal, a Planeta Tangerina é uma das editoras que tem trabalhado a partir dessa premissa e os resultados passam por livros que se destacam e por leitores de todas as idades. Um dos seus livros mais recentes chama-se Cá Dentro e assume a tarefa aparentemente inalcançável de explorar o cérebro humano, explicando-lhe o funcionamento com rigor e sustentação científica, abordando questões que muitos adultos diriam ser impossível abordar com crianças e deixando entre as páginas um dos maiores tesouros que qualquer livro pode conter: espaço para mais perguntas, para dúvidas e para muitas inquietações. Não duvidámos, por isso, em fazer deste o tema de capa da nossa edição mensal, dando às autoras a palavra sobre um desafio que resultou num livro que todos os que têm alguma curiosidade sobre a natureza humana deveriam ler.

Nesta edição apresentamos também, em pré-publicação, alguns poemas do novo livro de Jorge Arrimar, poeta que viveu em Macau durante muitos anos e que mantém com a cidade uma ligação umbilical. Como sempre, mantêm-se os espaços de crónica, com Yao Feng invocando Camilo Pessanha, de conto e de novos livros acabados de chegar às prateleiras das livrarias. Boas leituras.

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