Crónica / Poesia

Escrita na Brisa (Yao Feng)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Somos todos apenas árvores

Somos todos apenas árvores
baixas árvores
árvores que não sabem correr para além
árvores que confundem a luz do machado com a luz do sol
para a qual crescemos
Estamos imóveis, sem chegarmos até a um homem
mesmo que ele precisasse duma sombra solidária
antes da morte de amanhã.

Temo os ramos e as copas
menos altos do que o arame farpado da prisão dele
menos altos do que a muralha que construímos para nós próprios
Nada fizemos senão circundar dentro dos troncos
marcando em vão o correr do tempo com os anéis um atrás do outro.

O medo já se tornou
o nosso único tipo de sangue e o nosso único signo
Pela calada da noite, não temos coragem de chamar em voz alta
o nome dele
apenas com as folhas trémulas, sussurramos sobre ele,
nas suaves brisas e chuvas.

Convidámos um carpinteiro para lhe fazer uma cadeira
mas acabamos por deixá-la vazia, sempre vazia
E agora, podemos construir-lhe um caixão,
mas a sua morte é o mar, o mar ondulando e agitando,
que não cabe em nenhum caixão.

Yao Feng

2017. 7. 14-15

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