Editorial

parágrafo #23

Sara Figueiredo Costa

Outubro é mês de apostas sobre quem ganhará o Nobel da Literatura. Ao eterno nome de Philip Roth, todos os anos apontado como candidato provável e merecedor, juntam-se escolhas definidas pela geografia, pela política, pelos afectos de tantos leitores que ocupam as redes sociais nesta adivinhação anual. Este ano será para uma escritora, que há tantas a escrever tão bem e tão poucas a merecer a distinção da Academia sueca. Ou será para um autor da Síria, ou do Afeganistão, ou do Irão, que o Nobel é político e não tem nada de literário. Ou há-de ser para aquele poeta dos confins da Patagónia que quase ninguém leu, mas que tem uma obra absolutamente genial. Todos os anos é assim nos primeiros dias de Outubro, até a secretária permanente da Academia abrir as portas brancas que separam a imprensa dos jurados e anunciar, perante centenas de câmeras e objectivas, o nome do novo Nobel. Este ano, a sorte saiu a Kazuo Ishiguro, autor em quem poucos tinham apostado. E apesar da falta de consenso na imprensa literária, algo que também se repete todos os anos, não houve lugar para brados contra o desconcerto da Academia sueca como há um ano, quando Bob Dylan foi o eleito. O autor de Os Despojos do Dia mostrou-se reconhecido, a imprensa falou sobre o seu trabalho e as editoras que têm livros do escritor no seu catálogo trataram de reforçar a presença nas livrarias, sabendo que depois do Nobel muitos leitores querem conhecer a obra de que talvez nunca tivessem ouvido falar. No próximo Outubro, novas apostas começarão a circular.

Continuando a nossa série dedicada às bibliotecas de e sobre Macau, este mês visitamos a Biblioteca de Sir Robert Ho Tung, edifício do século XIX que partilha o Largo de Santo Agostinho com a respectiva igreja, o Seminário de S. José e o Teatro D. Pedro V. Para além das funções habituais numa biblioteca contemporânea, entre livros, jornais e documentos multimedia, esta biblioteca tem duas particularidades que talvez muitos leitores desconheçam. Por um lado, é a sede do ISBN, código numérico internacional que identifica cada livro publicado no mundo, em Macau, por outro, guarda um tesouro monumental, uma colecção de livros antigos em chinês cujos exemplares mais vetustos remontam à dinastia Ming. Fomos conhecê-los e tivemos o privilégio de poder ver de perto alguns desses tesouros bibliográficos, privilégio que partilhamos com os leitores nas páginas nesta edição.

Para o mês que vem, há mais livros para conhecer e outras histórias para ler no Parágrafo. Boas leituras.

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